Conecte-se

Entrevista

Conheça a série “Sotaques de Reggae da Bahia”

Produção audiovisual traz a história contada por cantores do reggae baiano

DUBFREELAB Sotaques de Reggae da Bahia
Foto: Reprodução

Com produção audiovisual independente, o laboratório de pesquisa soteropolitano DUBFREELAB produziu a série “Sotaques de Reggae da Bahia”, abordando a trajetória de músicos do reggae de diferentes gerações que fazem parte do cenário underground da música baiana.  

Dia Nacional do Reggae

11 de maio: o dia de hoje ficou marcado pelo falecimento de Bob Marley, uns dos mais populares cantores jamaicanos, e no Brasil, comemora-se o Dia Nacional do Reggae, instituído pela presidenta Dilma Rousseff em 2012.

Tudo começou na Jamaica, um país localizado na região do Caribe, no continente americano da América do Norte. Foi nos guetos de Kingston, sua capital, que o reggae nasceu e se tornou um gênero musical fundamentado em denúncias políticas e mensagem religiosa, influenciado pelas manifestações culturais de alguns países da África e pelo R&B estadunidense.

Apesar de o reggae ter ganhado dimensão internacional no circuito comercial da música nos anos 1970 com o lançamento do álbum “Catch a Fire” do grupo The Wailers, o gênero é antecedido por outros da música popular jamaicana como calypso, mento, ska e rocksteady, e por músicos e bandas de sucesso como Byron Lee and the Dragonaires, Alton Ellis, The Skatalites, The Ethiopians, Big Youth, Toots & Maytals, entre outros.

No Brasil, é possível percebermos o surgimento de músicas e bandas influenciadas pelo gênero jamaicano a partir dos anos 1980. Até o final da década de 1990, surgem no estado da Bahia nomes influentes para o cenário nacional do reggae como Sine Calmon, Edson Gomes, Nengo Vieira, Tintim Gomes e Adão Negro.

Através do aplicativo ZOOM, conversei com o Danilo Duarte, responsável pela produção da série “Sotaques de Reggae da Bahia”, sobre os processos de concepção e gravação.  

Entrevista

SOM: Danilo, como surgiu a ideia de fazer essa série?

Danilo: Sempre tive vontade de fazer o registro. Como eu estava estudando audiovisual, tive a ideia de fazer um minidoc. Eu só não tinha um parâmetro. Se seria sobre a origem… Não sabia por onde começar. Nesse tempo, eu já estava lendo o livro da Bárbara Falcón, “O Reggae de Cachoeira – uma produção musical em um porto atlântico”, que fui presenteado, e o livro de Fabrício Mota, Guerreiros do terceiro mundo”. O livro da Bárbara fala mais sobre a história do reggae aqui da Bahia, da banda Studio 5, Remanescentes, Edson Gomes, e foi daí que fui tomando um norte. Pensei em produzir vídeos onde o artista de reggae pudesse falar brevemente de sua trajetória, suas canções e mostrar um pouco da sua música, um pouco do seu show. Foi isso, abrir mais esse espaço para os artistas/bandas e ir mostrando como o reggae influenciou cada um e sobre a pegada do reggae baiano.

SOM: Como você decidiu quem seriam os entrevistados?

Danilo: Eu realizei sem estrutura financeira né, não tinha verba, então iniciei com artistas que estavam mais perto, ao meu alcance, dentro das possibilidades. pensei, de repente começar com artistas em que eu já tivesse tocado, né?! Então tive a oportunidade de entrevistar Alumínio Roots, um artista que se apresentava e movimentava a Rocinha no Pelourinho, um espaço importante pro Reggae de Salvador e foi daí que foi tomando forma o projeto. Depois, Marco Oliveira da banda Dystorção que já era uma opção inclusive antes do Alumínio. Eu conheci Marco Oliveira em 2004 na Rocinha quando eu tocava com Alumínio Roots, mas Marco faz parte da minha influência enquanto baixista e guitarrista desde quando comecei a tocar Reggae em 1998 quando ouvia fitas K7 da banda Dystorção. Marco Oliveira foi integrante da banda Studio 5 e Remanescentes junto com Nengo Vieira como baixista assinando linhas de baixo originais, era importante ele participar. 

DuGrave, já estava perto também me dando uma força em um movimento e também estava lançando sua carreira solo nesse tempo em que comecei com essa história dos vídeos, o convidei para participar. DuGrave é baixista e já tocou com muita gente aqui em Salvador, foi integrante da banda Dubstereo também né estava se lançando como artista solo, enfim, tem história pra contar e contou um pouco sobre o seu projeto. 

Já o Bruno Natty eu não conhecia pessoalmente mas via bastante movimento das produções dele nas redes, um cara que estava buscando ali sempre movimento com sua música reggae. Na época em que comecei a gravar o Sotaques ele estava fazendo um movimento no centro da cidade em uma praça do Pelourinho, fiz o contato, ele topou e foi assim. 

Mas foi por conta da parceria com Carol Garcia, uma fotógrafa aqui de Salvador que foi possível dar esse primeiro passo na produção desses quatro vídeos. Carol havia me chamado para uma parceria a fim de realizarmos uma ideia que ela tinha sobre cultura reggae na Bahia, estávamos pensando na mesma direção. Ela além de fazer as captações das imagens, conduzia as entrevistas enquanto eu fazia a captação de som direto e montava o material. Foi difícil porque eu não sou montador de vídeo, né?! E isso também limitou a ter esse formato dinâmico (risos). Carol Garcia foi um apoio super importante, foi quem me ajudou a dar um formato a ideia do Sotaques, e foi como aconteceu esses quatro episódios Primeiro filmamos a do Alumínio, depois a do Marco Oliveira, depois filmamos o DuGrave e, por último, o Bruno Natty.

SOM: Terá mais alguns capítulos da série?

Danilo: Então, a ideia é seguir com mais temporadas. (risos) Sempre quatro bandas. A gente já ia dar esse passo, de forma independente, acabei ficando sozinho no processo, mas veio a pandemia e não rolou. Mas sim, tem outras quatro bandas que a gente vai produzir o material, com ou sem financiamento. 

SOM: Vi que vocês fizeram a partir da DUBFREELAB, fala um pouquinho sobre?

Danilo: Dubfree, na realidade, é um projeto que criei para ficar praticando a produção de música reggae e dub no estúdio mesmo. O Lab chega quando eu decido envolver outras pessoas no processo, surge quando eu decidi gravar o EP da Banda Libertai, de Bobo Tafari, Vagner Encarnação, Val da Mata e Danilo Tripa. Eu tinha um estúdio e decidi gravar esse EP. Daí surgem outros artistas, Ed Love, Dudoo Caribe… Enfim, eu e Bobo Tafari assumimos esse nome nos nossos projetos, nas nossas produções. Geralmente eu acabo por assumir as produções de vídeo, som direto, gravação fonográfica, por falta de recursos financeiros né, aí Bobo Tafari também produz e mixa comigo.

 

Assista no canal da DUBFREELAB “Sotaques de Reggae da Bahia”:

Escrito por

Comunicadora instantânea, clarinetista entre quatro paredes, sonoplasta e devota da vida. Acredito no poder de transformação social da música e busco conhecê-la desde o seu contexto. Garimpo vinil vez em quando.

Clique para comentar

Deixe uma resposta.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

LEIA MAIS

Bloco do Caos Bloco do Caos

Bloco do Caos tece críticas ao “país do futuro” em “Fim de Março”

Lançamento

S.O.M. — Sistema Operacional da Música — Desenvolvido por Mídia NINJA, Fora do Eixo e Hacker Space.

Siga!