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Djonga busca se encontrar em “NU”

Entre versos intimistas e flow potente o artista entrega um registro humano

Djonga - "NU"
Foto: Reprodução

Djonga apresenta “NU”, uma obra intimista e coletiva ao mesmo tempo, com diversos assuntos abordados no registro, sendo difícil rotular ou colocar em caixas. O álbum – lançado no último sábado dia 13 como seus últimos discos lançados tradicionalmente nesta data -, traz versos sobre temas variados como contradições, racismo estrutural, críticas que sofreu de pessoas que pedem pra ele ser mais do que ser humano, e que pedem sua cabeça de qualquer forma.

A estreia veio com clipe para “Nós”, trazendo transições bem executadas e narrativa aliada aos versos da faixa, a direção é assinada por Túlio Cipó. Outras músicas do disco contam com vídeo arte no YouTube que figuraram os mais assistidos da plataforma nos últimos dias. Com participações de Doug Now em “Ricô” e Budah em “Dá pra Ser”, o mineiro entregou mais uma vez sua lírica crua, de cria da Serra, em “Ó Quem Chega”, “Xá pra Lá” e “Vírgula”. O aguardado álbum chega com oito faixas, novos flows, e produção de Coyote, Nagalli, Thiago Braga e MDN Beatz.

 

 

“NU”: A capa

A foto da capa é de Jef Delgado e arte por Alvaro Jr, contendo alguns significados como “entregar a cabeça em uma bandeja”, ou entregar sua cabeça com ideias e pensamentos. A arte é dedicada ao fotografo, modelo, produtor musical, artista plástico e diretor de arte 1993agosto, que faleceu em 23 de Fevereiro. Um de seus trabalhos inclusive, Suicide Show Bob, discorria sobre saúde mental – tema tão presente no novo disco do Djonga -. Segundo uma entrevista concedida ao Monkey Buzz, o projeto consistia em vender bonecos de resina sem rosto, com uma porcentagem do valor doada para o Centro de Valorização da Vida (CVV).

Djonga

Jef Delgado e arte por Alvaro Jr

Djonga – “NU”

Djonga organiza pensamentos, fala, dialoga, evoca, luta, enfim, ele é ele. Tenta chegar próximo de si, e também se distanciar de seus outros “eus”. Um dos muitos fios condutores do disco está em nessa busca de si, do humano, a sequência de músicas, iniciando com “Nós”, e chegando ao fim em “Eu” sintetiza bem isso, como no verso desta última: “Antes de ser eu, eu sempre quiser ser nós, agora só quero ser nós sem deixar de ser eu”.

Acima de tudo é álbum humano, fala sobre ser humano, errar, acertar, traz o Djonga, isso, ele mesmo, ou o Gustavo – nome de batismo do cantor. As faixas se conectam na obra, construindo pontes, como em suas contradições em “Ó Quem Chega” e no boom bap de “Xapralá”, e isso está presente no decorrer do disco em diversas formas.

“Ricô” em parceria com Doug Now, tem um flow diferenciado, vibrante, remetendo um pouco alguns trabalhos do Criolo. Em “Dá pra ser” com participação de Budah temos uma faixa romântica e delicada, os versos trazem um registro bonito. “Vírgula” entrega como recortes da sociedade enxergam o cantor, referências à suas parceria, e “Casa de Bamba” de Martinho da Vila passando a visão: “Na minha casa ninguém passa fome, todo mundo bebe todo mundo come, na minha casa vale tudo, chefe, dança mina com mina e homem com homem”.

 

O álbum também traz as glórias, como o Djonga poder ajudar os seus, ser o primeiro e único rapper brasileiro indicado ao BET Hip Hop Awards, ter voz na mídia brasileira, entre outras. É um disco maduro, de quem já plantou e colheu frutos, de quem chegou no topo, mas não quer deixar de ser si mesmo, que quer se equilibrar entre o personagem e o intérprete.

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