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Música e sexo: um relacionamento que pode dar certo

Brasileiros acreditam que canções durante o sexo contribui para o prazer

Música e sexo
Foto: Reprodução

“Carnaval de Salvador, os olhares se encontram, beijo na boca e um convite pra se conhecer. Foi assim que tivemos o nosso primeiro, a nossa primeira transa: em um flat na Barra, ao som do trio de Ivete Sangalo. Pra gente, pro nosso relacionamento música e sexo se fundem de tal forma que quase se tornam uma unidade. Desde aquele encontro, que está fazendo um ano nesse mês, temos uma playlist cheia de axé (em todos os sentidos) para os nossos momentos (íntimos, principalmente)”.

Esse até podia ser um enredo ficcional baseado no trecho “amor é bossa nova, sexo é carnaval”, da música “Amor e Sexo” de Rita Lee, mas é a história verídica do Caio e do Mateus[1], publicitário e gerente de vendas, que desde o primeiro encontro criaram uma trilha sonora para escutarem durante os momentos sexuais.

A criação de playlist em plataformas musicais para o “momento do sexo” tem sido algo bastante feito pelos usuários, basta uma simples pesquisa nas ferramentas de busca dos streamings ou em sites, jogando o termo “sexo” e “playlist” para se comprovar tal fato, vendo a enorme quantidade de listas que aparece. Mas, na real, quais as possibilidades que a música abre no desenrolar dos encontros sexuais?

Música e sexo em pesquisas

De acordo com pesquisas desenvolvidas pelas mais variadas instituições, a música é considerada como uma espécie de afrodisíaco que serve tanto para estimular e desinibir as pessoas, quanto para melhorar o desempenho no ato sexual. Segundo um estudo encomendado pela plataforma de streaming Deezer, 92% dos brasileiros concordam que ouvir canções durante o sexo contribui para a intensificação do prazer, e mais da metade dos entrevistados disse que a eficácia do som proporciona mais benefícios que o uso de outros artifícios, como, por exemplo, tomar um vinho.

“A música contribui muito na desinibição para o ato sexual, principalmente se o encontro for com uma pessoa que a gente não tenha tanta intimidade, por exemplo, ajuda a abrir caminhos, gerando uma conexão maior com o parceiro”, opina Lérida Freire, jornalista.

A relação entre música e sexo não se reduz a opiniões pessoais, e não é uma descoberta dessa “geração online”. O livro do músico e musicoterapeuta francês, Étienne Liebig, chamado “O Sexo da Música” traz todo um contexto histórico, que remete a Antiguidade a ligação entre a música e sexo, além de explicar, cientificamente, o quanto um é capaz de influenciar e exercer o outro.

“Eu trabalho como acompanhante sexual de luxo e percebo o quanto é real e verdadeiro que a música pode contribuir para o relaxamento das pessoas antes, durante e depois do ato sexual. Desde que eu li um dos livros de Bruna Surfistinha em que ela escreve sobre como uma trilha sonora ajudava na hora dos programas e também servia como um cronometro para o tempo decorrido, decidi aplicar essa ‘técnica’ e vi a sua serventia, agora uso frequentemente, até para além do trabalho”, compartilha Inês Dias[2].

Porém, há quem discorde que a música tenha esse potencial estimulante na hora do ato sexual. Para Ana Clarissa, pedagoga, a situação acontece de forma inversa. “Nas vezes em que tentei colocar uma playlist para ‘esquentar’ o encontro, fiquei super tensa. Questionamentos do tipo: ‘será que ele (o parceiro) gosta desse tipo de música’, ‘e se rolar o convite para uma dança, e eu não souber dançar?’, me deixaram super nervosa e diminuíram o meu tesão. Já aconteceu também, uma vez, de chegar na casa do cara e ter uma seleção de músicas que me lembraram o meu ex-namorado, aí foi que tudo desandou mesmo”, comenta.

Para a psicóloga Elisa Silva, a música tanto pode ter uma ação benéfica quanto provocar uma situação constrangedora nos encontros sexuais. “O ser humano é dotado da capacidade de dar sentidos e significar estímulos e eventos de acordo com suas vivências. Assim, os estímulos que as músicas propiciam remetem nas memórias afetivas construídas por cada um, podendo ser um estimulante favorável ao ato sexual para um, enquanto ativa um gatilho emocional de afetos desagradáveis para o outro”, pontua.

É sempre bom lembrar que, como canta Vanessa da Mata, “um bom encontro é de dois” e para dois. Por mais que a música seja vista de forma benéfica em vários momentos, quando há envolvimento de mais de uma pessoa é necessário consenso, antes de tudo, de todas as partes para que aconteça da forma mais prazerosa possível.

[1] Nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados, atendendo a um pedido dos mesmos.

[2] Outro nome fictício usado para não identificar a entrevistada.

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Eu sou uma mistura do "Cara Estranho" com "O Vencedor", do Los Hermanos. Adicionado a isso, sou: formado em jornalismo, pisciano extremo, um leitor voraz e grande observador. Ah! Também sou aquele que sofre por não saber escrever seu próprio perfil.

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