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Sara Abreu traz força feminina em EP “De Rio A-Mar”

Primeiro registro cheio traz referências feministas com passeio musical pelas águas de Minas Gerais e Salvador

De Rio a Mar
Foto: Zé Liveira

Nascida em Belo Horizonte (MG), Sara Abreu banhou-se nas águas doces dos rios e na diversidade da cultura popular. Desde sempre mostrou seu gosto pelo canto e pela capoeira angola. Mas foi nas águas salgadas de Salvador (BA), que ela aprofundou seu gostar. Passo crucial para a gravação do EP De Rio A-Mar.

Sara foi a Salvador beber água da fonte para suas pesquisas de mestrado e doutorado sobre a capoeira angola. A partir daí iniciou sua vivência com a musicalidade da Bahia, as rodas de samba e o encontro com o violão de sete cordas, proporcionado pelo Mestre Edson Sete Cordas, Gilson Verde e Daniel Veloso, também grandes referências de violonistas. Começou a compor a maioria das canções do EP em 2018, quando ingressou na Escola Baiana de Canto Popular com Ana Paula Albuquerque e no Samba das Cumades, coletivo de mulheres sambistas. “Espaço frutífero nesse sentido de a gente compor e apresentar nossas músicas nas nossas rodas, nos nossos shows.” declara. Somente a faixa “Inverno em Salvador” foi composta durante a montagem do EP, única faixa em voz e violão, que traz impressa a melancolia vivida durante a pandemia e quarentena.

 

De Rio a Mar

Foto: Zé Liveira

Um dos motivos que a trouxeram para Salvador foi o mar, além da capoeira angola e cultura. As águas fazem fluir emoções e sentimentos. São águas que transformam, que limpam e, quando no útero, geram vida. O ser mulher também faz parte de sua história de vida e da concepção do registro que diz tanto sobre Sara. O movimento de mulheres capoeiristas e o Samba das Cumades são, para ela militância feminista.

“Militância de ocupar um espaço que majoritariamente, historicamente, é ocupado por homens, então isso acaba sendo uma luta de resistência mesmo. Dentro da música, a própria questão de tocar o violão de 7 cordas, também não é diferente.”

Desde a concepção do projeto, o objetivo sempre foi agregar o máximo de mulheres possível. Participaram do EP dez mulheres musicistas e apenas dois homens, Zé Livera (violão) e Tito Fukunaga (flauta), que já tinham uma ligação anterior com a musicalidade de Sara. A força da música feminina passeia pelas águas e saúda a memória de diversas mulheres como Maria Felipa, Dandara e Princesa Aqualtune. Na faixa Mulheres Capoeiras, a artista com participação especial de Mestra Janja (berimbau e voz), faz homenagem às mulheres capoeiristas que por anos foram apagadas da história da capoeira e do Brasil.

Foto: Zé Liveira

“De Rio A-Mar” mistura a sonoridade mineira com africana. Passeia pelos ritmos brasileiros em que Sara mais vivenciou na música. Tem Música Popular Brasileira, Xote, Baião, Ijexá e claro, o Samba. Dentre as participações femininas, o EP conta com Aline Falcão (sanfona), na faixa “Pé de Vento”, que é uma mistura de baião com ijexá. Participação do Samba das Cumades, com Rayra Mayara (cavaquinho), Daniela Amoroso e Lalá Evangelista (percussão), Daniela Nátali (clarineta), além de Poliana Coelho (percussão) Jana Vasconcelos (arranjo e gravação) e da direção e preparação vocal por Ana Paula Albuquerque.

O novo trabalho de Sara Abreu é uma riqueza de história, força feminina e musicalidade. Tem o incentivo financeiro do Projeto de Lei Aldir Blanc, Prêmio Jorge Portugal e da Fundação Cultural da Bahia e Secretaria de Cultura. Está disponível nas principais plataformas de música. Não deixe de ouvir e apoiar a força da mulher feita de água e música.

 

Ouça o EP “De Rio A-Mar”

 

Escrito por

Amante das culturas populares e identitárias. Estudante de jornalismo e pesquisadora na UFBA. Acredito no poder da comunicação independente e na preservação e divulgação de memórias culturais e de festas. Minha playlist é uma loucura.

2 Comentários

2 Comentários

  1. Elaine Sato

    29 de maio de 2021 at 13:50

    A Sara é uma potência musical e tem uma voz maravilhosa, gostosa de ouvir. Parabéns!!!

  2. Ananda

    31 de maio de 2021 at 3:23

    Que delícia de encontro essas duas. Escrita. Relatos. Arte. Cheros

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