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SONS DE 2020: Músicas, álbuns e clipes que marcaram o ano da nossa curadoria

Chegou a hora de concluir o ano mais complicado para nossa geração e agora, olhando para esse 2020, a gente se despede com uma lista de sons que se você não deu play, pode usar as férias para ficar em dia. São músicas, clipes e álbuns que foram destaque e também indicações de várias partes do país da música independente, tudo construído por nossa curadoria colaborativa.

Deixe nos comentários o seu S.O.M de 2020 e o que ficou de fora da lista. Feliz ano novo!

 

MÚSICAS

Elza Soares – Juízo Final

O novo single da rainha Elza Soares é releitura de Nelson do Cavaquinho e ganhou um clipe em animação com a mulher do fim do mundo em personagem. O clipe do clássico composto com Elcio Soares conta com Onda Negra, a avatar da cantora. Além de estar representada no clipe, Onda Negra ocupou as redes sociais da artista. “É pra trazer representatividade para nós, é para dizer que vai ter heroína negra em quadrinhos sim e que isso não pode ser uma raridade”, divulgou a cantora.

Detonautas – Micheque

Em meio a negociatas de família, lavagem de dinheiro, cheques e uma rachadinha aqui e outra ali, os Detonautas gravaram um tape pirata para fazer escárnio com o bom e velho hardcore. Com participação de Marcelo Adnet dando voz ao personagem mais ridículo da história política brasileira, a faixa faz as perguntas que todas nós queremos neste momento. E já que não dá pra derrubar ‘tudo isso que tá aí’ até que a pandemia acabe, nós vamos pra cima com arte.

Rosa Neon – Não Tô Dando Conta

A banda mineira Rosa Neon que se despediu de Mariana Cavanelas e LG durante este ano nos presenteou com ‘Cansei’ e ‘Não Tô Dando Conta’, duas canções que traduzem bem nossos sentimentos durante 2020. As faixas tranquilas, baseadas no violão e em beats produzidos por Baka e Pedro Cambraia (Cidoca), ganharam clipes com o então trio em esculturas estáticas, ilustrando a situação do grupo que nasceu para os palcos neste momento importante de reflexão.

Liniker – Psiu

O single representa um grande passo da carreira solo pós trajetória ao lado de os Caramelows. O som conta com uma composição própria e, além de estar presente nos vocais, a artista toca wurlitzer, pandeirola e kalimba na gravação produzida pelos músicos Gustavo Ruiz e Júlio Feijuca. Liniker encanta pela presença. Psiu tem letra forte, carregada de metáforas, cheia de afeto e chega direto no coração.

As Baías e Rincon Sapiência – Respire

As Baías entraram em nova fase depois do sucesso de Tarântula em 2019 e do EP “Enquanto Estamos Distantes” produzido durante a quarentena. “O lançamento dos singles “Respire” e “Coragem” apresenta um som eletrônico com clima de “se acabar na pista” e, talvez, tenha marcado a maior mudança até então: a alteração do nome do grupo de As Bahias e a Cozinha Mineira para As Baías, como já era abreviado pelos fãs. O SOM conversou com o trio sobre transformações, projetos e novidades, confira no site a exclusiva.

Hiran e Tom Veloso – Gosto de Quero Mais

Uma das maiores revelações do funk/rap baiano Hiran se uniu a Tom Veloso pra fazer um som seguido de clipe que girou a internet envolvendo e encantando. O som é de amor, carregado de sensualidade e com uma batida que faz dançar. Confira também o álbum ‘Galinheiro’ na lista.

Cabruera – Deixa a gira girar

A banda Cabruêra lança o segundo single “Deixa a Gira Girar” do novo álbum, “Sol a Pino”.
O CD que ainda não tem previsão de lançamento, conta com a versão da em homanegam ao grupo Os Ticoãs. Deixa a Gira Girar fala dos Orixás, entidades como Iansã, Xangô e Iemanjá que também são representados pelas forças da natureza como o vento, o fogo e as águas do mar. Gira é o nome dado movimento circular no terreiro durante os trabalhos espirituais. No dialeto africano ‘gira’ significa ‘caminho’.

Potyguara Bardo e Luísa e os Alquimsitas – Cadernin

A música faz parte do último disco da banda, “Jaguatirica Print” e conta com uma pegada de forró piseiro, vertente do forró que vem bombando ultimamente. A música ganhou a harmonia da sanfona, novas camadas de voz, baixos e guitarras. A parceria entre as potiguaras é antiga, mas Cadernin (Piseiro) vem como um respiro amoroso, pop e regional nesse 2020 tão difícil.

BaianaSystem – Miçanga

O ano começou com mais uma mágica em forma de música do grupo baiano. ‘Miçanga’ conta com a participação da dupla Antônio Carlos & Jocafi, que já havia colaborado no disco mais recente. A inspiração para a canção veio de um filme produzido e rodado em Moçambique, baseado no livro de um escritor angolano, que ganha contornos quase mitológicos e se passa numa cidade além do tempo e da geografia, “Avó Dezanove e o Segredo do Soviético”, do diretor João Ribeiro.

Pitty e Josyara – Anacrônico

2020 marcou os 15 anos do CD e da música “Anacrônico” e, em comemoração, Pitty se juntou com a baiana Josyara para uma nova versão do hit. A parceria incrível, surgiu de forma inusitada, quando Pitty viu um vídeo postado por Josyara, em sua conta no Instagram. Com certeza esse foi um dos feat do ano!

Barro e Ubuntu – Carne dos Deuses

Fruto de uma mistura nordestina entre Barro e Ubuntu, nasce a música “Carne dos Deuses”.
Com influência do Axé Music dos anos 80, o verão recifense dos anos 90 e o pop, os músicos criaram o Ijexá que conta com muita percussão e sinterizadores e promete não te deixar parado ao dar play.

Kunumi MC e Lozk – Força de Tupã

Reconhecido como uma das principais vozes da floresta, o rapper indígena guarani, que carrega a bandeira do RAP Nativo, Kunumi MC, lança hoje a faixa Força de Tupã em parceria com o artista colombiano Lozk. Essa união foi possível através da ponte da iniciativa Latinese, que conecta artistas dos países da América Latina e auxilia na produção de músicas e videoclipes em parceria internacional.

Mazuli – 8 ou 80

A música que tem uma sonoridade instigante e dançante, fala sobre a importância do protagonismo das nossas próprias vidas e como isso pode contribuir para uma sociedade mais justa. O single ainda acompanha uma animação que remete a um jogo de videogame, que retrata a trajetória de um personagem que está sempre oscilando nos altos e baixos da vida e tendo que se equilibrar numa corda bamba.

E mais:

Mahmundi – Sem Medo

A Outra Banda da Lua – O Novo Baile Perfumado

Céu e Liniker – Via Láctea

Agnes Nunes e Neo Beats – Hiroshima

Edi Rock e Jorge Du Peixe – Vai

ÀIYÉ – Pulmão

Ana Frango Elétrico – Mulher Homem Bicho

Fresno – Isso Não É Um Teste

Renan Cavolik – E.U

Nêssa – Aquele Swing

Natalia Cabral Feat. Diego Moraes – Happysad

Gabriel Feijão – Pistas

XAUIM – Pra Quem Quiser Ouvir

Bivolt – Me Salva

Cigana – Impaciência

Gilsons e Mariana Volker – Devagarinho

Karol Conká e MC Rebecca – A Preta É Braba

 

CLIPES

Bia Ferreira – Boto Fé

Num mundo pós-apocalíptico, Bia Ferreira é uma neurohacker afro-futurista, com a missão de reconstruir a sociedade das ruínas do fim do mundo. Habitando em um trem com recursos, ela é capaz de invocar quem ela precisa para ajudar nessa reconstrução. Acompanhada por Doralyce, Bia estuda e recria elementos naturais que foram destruídos pela humanidade, simbolizando a cura que vem da ancestralidade. “Boto Fé” foi uma das primeiras composições que vieram a público, presente no álbum Igreja Lesbiteriana, Um Chamado, que completa um ano. Para celebrar, o som ganhou um clipe produzido majoritariamente por uma equipe preta, de forma independente com altas referências afro-futuristas. Com direção de Naná Prudencio Zalika e Hanna Batista, direção de fotografia de Fydell Botti e direção de arte de Luiz Becherini o time ainda conta com produção de Carol Moreno e edição de GIGS.

Criolo e Tropkillaz – Sistema Obtuso

Dirigido por Denis Cisma, o novo clipe de @criolomc e @tropkillaz ‘Sistema Obtuso’ chega no melhor estilo RAP, arriscando até uns beats de Trap. ‘Sistema Obtuso’ é de difícil compreensão, é preciso ouvir várias vezes e recorrer à letra pra captar a mensagem, mas o clipe por si só já revela o peso e a poesia contidos na obra. Criolo grita, usa o gutural e demonstra toda sua raiva, representando bem o misto de ansiedade, terror e até deprê que nos tomaram durante a pandemia.

Hot e Oreia – Domingo e Presença

Dirigido por Belle de Melo (Cave) , o filme traz referências aos quadros “Antropofagia”, de Tarsila do Amaral, “A Sereia”, de Alfredo Volpi, “Exu Black Power”, de Abdias do Nascimento e “A Última Ceia” de Leonardo da Vinci – e cita a história da música popular brasileira, reproduzindo parte do discurso de Caetano Veloso no Festival Internacional da Canção em 1968. Tudo isso, floreado por rimas e cenas impactantes com duras críticas ao atual cenário sociopolítico brasileiro.

Illy – Desafio

A cantora Illy lança versão da música “Desafio”, eternizada na voz de Belo. Considerada uma das músicas mais marcantes em seu show “Voo longe”, a versão envolve uma batida pop junto com o samba reggae. Gravada há 2 anos, a cantora ainda não tinha achado o momento ideal para lançar a canção. Diante de todo o contexto em que estamos vivendo e com a saudade dos palcos, Illy resolveu gravar um clipe, que foi todo produzido em sua casa, para nossa alegria e de todos os fãs que já vinham pedindo essa versão há muito tempo.

Babi Jaques e Lasserre feat Sofia Freire – Cão Guia

O duo nômade pernambucano Babi Jaques e Lasserre estreou em 2020 a nova fase da carreira, depois da jornada ao lado dos Sicilianos. Na produção, feita em parceria com a Mídia Ninja, imagens do caos de São Paulo e recortes de manifestos que ilustram bem a canção. Um som profundo e inspirador, que fala de liberdade, com sonoridade brasileira independente de matar de inveja o mainstream. ‘Cão Guia’ é o segundo single que ganhou clipe, o primeiro ‘Seguir a Vida’ também merece o play. Em janeiro chega a terceira música ‘Deixa Fluir’ com clipe pra fechar a trinca de debut.

Alan Rocha – Alumiô

O artista premiado Alan Rocha lançou Alumiou, clipe gravado em Salvador e com equipe 100% negra. Um trabalho que traz como tema a negritude – “Fazer um clipe lindo e de qualidade com essa equipe é mostrar que estamos aqui e temos profissionais capacitados para fazer cinema, TV, publicidade, seja na direção, no roteiro, na fotografia, no elenco e em outros setores.”

Mulamba – Lama

Mulamba, o sexteto conhecido por não permanecer em silêncio, lançou os videoclipes LAMA e Carne de Rã, em 2020 LAMA, dirigido por Virginia de Ferrante, mistura a linguagem documental com a videoarte relembrando o crime ambiental em Mariana, que resultou no maior impacto ambiental da história brasileira.  Carne de Rã é um vídeo denúncia, um grito pela liberdade dos corpos femininos. Lançado no Dia de Luta Pela Discriminalização do Aborto – um apelo pelo ventre livre.

Larissa Luz – Não tenha medo de mim

A cantora e compositora baiana Larissa Luz traz na canção “Não tenha medo de mim” uma reflexão sobre amor afrocentrado, uma outra maneira de tratar de política e militância que são marcas do seu trabalho. O clipe foi gravado em Salvador com uma equipe toda negra e conta com a participação do ator Fabrício Boliveira.

Flaira Ferro – Lobo, Lobo

A cantora pernambucana Flaira Ferro lançou o clipe “Lobo, Lobo”, quarto lançamento audiovisual totalmente independente do seu segundo álbum “Virada na Jiraya” lançado em 2019. Com uma performance solitária que corresponde aos tempos de isolamento, o clipe reúne imagens caseiras com a cor avermelhada, que faz uma sátira aos “vampiros do cotidiano” que disfarçam suas más intenções em personagens aparentemente inofensivos. Flaira se mostra em diferentes personagens e traz uma melodia com a mistura do rock, ira, humor e ironia. A composição tem parceria de Igor de Carvalho e Mayara Pêra.

Ugangue – Trama (Vandal, Ravi e Galf)

Após cinco anos desativada, a União do Gueto (Ugangue), original das favelas de Salvador, movimentou a cena ao anunciar seu retorno. Banca pioneira da capital baiana, a UG retornou à cena com o lançamento de ‘Trama’ – faixa originalmente lançada em há seis anos – que não fica de fora do repertório quando se fala em rolê raiz e costuma fazer as cabeças baterem nas rodas. Com os linha de frente Vandal, Ravi Lobo e Galf, o audiovisual do que ficou conhecido como o hino do rap da Bahia foi filmado na comunidade da Gamboa – conhecida como das praias mais singulares e charmosas da capital. As imagens feitas por um drone deixam claro o porquê. O clipe reúne além dos rappers, crianças da quebrada, moradores e outros artistas que têm ligação com a UG. O refrão diz assim: ‘A União do Gueto mantendo o respeito mesmo’. E quem quiser que diga o contrário.

Ave Sangria – Vendavais

A banda Ave Sangria, uma das mais importantes da cena musical psicodélica pernambucana, lança o clipe “Vendavais”. O clipe que é o primeiro da banda, de todos esses 46 anos de carreira, traz uma mensagem sobre liberdade de expressão, com críticas sociais e com com participações dos integrantes da banda, mostrando a “opressão versus a ação para se libertar e ser si mesmo”. Formada nos anos 70, a banda possui dois discos, o primeiro lançado em 1974 intitulado com “Ave Sangria”, foi censurado por alegar impulsionar a prática homossexual, com a música “Seu Waldir”, levando ao término da banda. Após 45 anos, o grupo retorna e lança mais um disco no ano de 2019 “Vendavais”, mostrando toda sua essência e mais ativos que nunca.

Barro – Antimusa

O cantor, compositor e produtor musical Barro em parceria com a artista visual Rafaela Amorim, lança o clipe “Antimusa”, sétima faixa do álbum “Somos”, lançado em setembro de 2018. Trata de uma personagem feminina que entre luzes e sombras tenta se livrar do que lhe foi designado pela sociedade onde acaba explorando as conexões humanas. Rafaela Amorim foi a responsável pela criação, roteiro, direção e também é a protagonista do clipe. Foi pensando e gravado na vertical para ser assistido em celulares e fez o clipe sozinha durante isolamento. Segundo o cantor, a música aborda o universo dos encontros e do feminino. A letra tem um diálogo sobre alteridade, mulher, encontros, lugar de fala de cada um e uma troca romântica de como podemos desconstruir esses enquadramentos sociais e julgamentos, botando uma esperança e ‘fé nos encontros’ como um lugar possível de empatia, respeito e reconstrução das relações.

E mais:

Black Alien – Carta Para Amy

francisco, el hombre – Matilha :: coleira ou cólera

Tássia Reis – Inspira e Try

Romero Ferro – Fake

Rap Nova Era – Aquela Paz

Pitty – Na Tela

Vandal – VINGADORAH

Ana Rafaela – Eu Vi Quando Você Chegou

Ludmilla – Rainha da Favela 

Filipe Ret – Cidade dos Anjos

Céu – Corpocontinente 

Boogarins – Inocência 

Rubel e Adriana Calcanhoto – Você me Pergunta

As Despejadas – Sonho em Cativeiro

 

ÁLBUNS

Djonga – Histórias da Minha Área

O dia 13 de março ganhou novo significado para a música brasileira. Após o hat-trick de álbuns que elevou Djonga ao primeiro escalão do RAP Nacional, o mineiro nascido na Favela do Índio e cria da Zona Leste de Belo Horizonte lançou seu quarto disco “Histórias da Minha Área”. A obra chama atenção por estampar de forma crua a realidade das ruas, particularmente nas comunidades periféricas. Fala de morte, mas também de como a juventude preta no Brasil pode e está contrariando as estatísticas permanecendo viva.

Priscila Tossan – Iceberg

A cantora e compositora carioca Priscila Tossan (@priscila.tossan) lançou em agosto seu primeiro álbum. O trabalho chega com o total de doze faixas, entre autorias e interpretações, contando com a participação de Criolo (@criolomc) e Luccas Carlos (@luccas).

Ventura Profana y podeserdesligado – Traquejos Pentecostais Para Matar o Senhor

A cantora baiana Ventura Profana lançou seu primeiro disco ‘Traquejos Pentecostais Para Matar o Senhor’, uma afronta direta à religiosidade fundamentalista e ao radicalismo cristão. O álbum com 6 faixas quer evangelizar, ou melhor, desconverter os ouvintes, libertando dos dogmas que matam desde a Inquisição. deus é Deise e traz a salvação dos corpos condenados das vítimas do sistema e políticas de horror que imperam nossa sociedade. Questionando a moral social e a lógica capitalista. O senhor do qual aborda em seu disco, é o “macho branco engravatado” que dita as regras e normas sociais.

Cynthia Luz – Não É Só Isso

‘Não É Só Isso’ traz versões ao vivo do álbum lançado em setembro que marca um novo passo na trajetória de Cynthia Luz, transitando entre o Rap e o Pop, mas com um tom acima. Explorando novos lugares, seja com as investidas nos instrumentos clássicos, ou o próprio estilo que caminha para a vida adulta e seu retorno de Saturno. Sempre com a força de uma das vozes mais poderosas da nova música produzida no Brasil.

Marcelo D2 – Assim Tocam os Meus Tambores

O rapper carioca Marcelo D2 passou os primeiros meses da quarentena dedicado à uma programação intensa de lives no Twitch. Ao total foram 150 horas no ar e o resultado é o álbum “Assim Tocam os Meus Tambores”. O disco é repleto de participações, a lista ao todo chega a passar de 30 nomes, e faz um mergulho em cantos, mitos e toques das matriz afro-brasileiras.

Luedji Luna – Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Agua

O segundo álbum de Luedji Luna foi lançado em outubro. A artista lançou, também, o álbum visual, dirigido por Joyce Prado, que está disponível em seu canal no YouTube. “A água é um elemento ligado às emoções e a Oxum. O álbum visual carrega referências sobre minha religião e meu entendimento enquanto mulher negra. #BomMesmoÉEstarDebaixoDágua é uma reflexão sobre afetividade de mulheres negras.” São 12 faixas, que misturam jazz e música africana. E a produção foi realizada durante a gravidez de Luedji.

Letrux – Letrux aos Prantos

Depois do sucesso do disco “Em Noite de Climão” lançado em 2017, Letrux num passo quase que premonitório lançou “Letrux Aos Prantos” no dia 13 de março de 2020, o fatídico dia em que o país parou diante da pandemia da Covid-19. O álbum contou com a produção musical de Arthur Braganti e Natália Carrera, com direção artística da própria Letrux e colaboração de Liniker e Lovefoxxx nas canções “Sente o Drama” e “Fora da Foda”, respectivamente. O disco foi indicado ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa.

Tagua Tagua – Inteiro Metade

Uma das maiores obras de 2020, “Inteiro Metade” traz a genialidade de Felipe Puperi, músico por trás do Tagua Tagua, explorando ritmos, melodias e letras. A sonoridade carrega uma psicodelia vibrante, enérgica, coesa sem se dispersar tirando o ouvinte pra dançar enquanto a letra tem alto teor poético muito pelas referências que o artista tem como Hilda Hist. A obra dialoga muitas vezes sobre uma sociedade de redes sociais condenada à um padrão e a aceitação de entender que alguns dias estamos bem, somos inteiros e outros apenas somos metade. Uma obra humana e atemporal.

Froid – Oxigênio (Corona Disco)

O músico não para! Froid apresentou seu quarto disco em quatro anos, “Oxigênio (Corona Disco)”. O álbum lançado pela gravadora do artista, Alaska, traz grandes parcerias como Cynthia Luz, Clara Lima, Hot e Oreia, Rincon Sapiência, Santzu e Sampa. Apesar de estar no nome do disco, o Corona não está diretamente nos versos daa obra, servindo mais como um ponto de referência do momento em que vivemos. A lírica passeia pela paixão, críticas sociais, e outras histórias que Froid tem o macete de contar.

BIN – Para Todas as Mulheres Que Já Rimei

O artista mais romântico de 2020 com certeza foi o BIN, o rapper carioca lançou o excelente disco “Para Todas as Mulheres Que Já Rimei”, abordando não só a relação de um casal bem como a solidão do homem negro, dentre outras pautas importantes em uma estrutura racista. O registro ainda conta com grandes participações de L7NNON, MD Chefe, Borges, MC Maneirinho, Mãolee entre outros artistas.

BK – O Líder em Movimento

Um dos maiores rappers da atualidade, o carioca Abebe Bikila Costa Santos, o BK, apresentou em 2020 o álbum O Líder em Movimento (Olem). Lançado em setembro, o disco tem dez faixas que falam desde conflitos pessoais, ao amor próprio e à lealdade. Olem é o primeiro disco de estúdio em que BK abriu mão dos feats e trouxe à tona apenas as próprias linhas. Em seu instagram, BK, autor de hits românticos como ‘Planos’, respondeu os fãs sobre a ausência de lovesongs, : “Já chega de sofrer. Vocês gostam de sofrer, né?!”, brincou. O álbum foi produzido pela Pirâmide Perdida Records – que pertence ao próprio artista – e agarrou as primeiras colocações no ranking de melhores discos do ano na cena do rap no Brasil. No YouTube, soma mais de 1,5 milhões de views.

Replay – Acabou Chorare

O álbum Replay – Acabou Chorare foi um dos incríveis lançamentos de 2020. No projeto, onze artistas deram voz e nova leitura ao álbum antológico Acabou Chorare, dos Novos Baianos. De todas as faixas, que também contam com clipes, destacamos “A menina dança”. Com releitura da baiana Xenia França, a artista inova sem perder a essência da versão original. E se olhar com atenção, é possível perceber no clipe traços de um passinho-assinatura de Baby do Brasil! Não deixe de conferir todo projeto que conta com: Letrux, Maria Gadú, Francisco el Hombre, Céu, Gilsons, Marcelo Jeneci e mais!

Wado – A Beleza que Deriva do Mundo Mas a Ele Escapa

Outro grande trabalho neste ano foi “A Beleza que Deriva do Mundo Mas a Ele Escapa”, de Wado e companhia. O músico trouxe parcerias de longa data e outras novas, um registro concebido pelo coletivo, à varias mãos. Um dos muitos detalhes que nos escapa na beleza que deriva esse disco são as batidas, que lá pela quarta ou quinta faixa o ouvinte nota a ausência depois de ter dançado como se tivesse. Tendo as cordas como grande aliada o álbum traz muitas reflexões e histórias deliciosas, revisitando até a infância.

Cícero – Cosmo

O artista carioca Cícero apresentou neste ano seu quinto disco, “Cosmo”, tendo alguns elementos poéticos e introspectivos já característicos do cantor somado a melodias solares como em “Some Lazy Days”. O trabalho conversa com seu tempo, o recolhimento e a solidão ao passo que traz alento, calma para o ouvinte neste tenebroso 2020.

Vivendo do Ócio – Vivendo do Ócio

O quarteto baiano Vivendo do Ócio apresentou seu quarto álbum de carreira após cinco anos sem um registro cheio. No trabalho podemos escutar algumas músicas já conhecidas, como “Il Tempo” “Cê Pode” e “Muito” e outras sete inéditas. A banda explora o soul e o reggae sem deixar de lado o indie, com letras políticas e críticas a sociedade de redes sociais. Um destaque para a faixa “Evolução”.

Igor de Carvalho – Querido Caos (EP)

O EP aborda questões da vida cotidiana de uma forma poética, como já era de se esperar, vindo do artista, que tem uma sensibilidade enorme e sempre transparece em suas músicas. Com uma vírgula no final, como quem escreve uma carta, “Querido Caos,” transparece sentimentos que pode ser presenciados através de conflitos internos próprios, que deram origem as 4 canções que compõem a obra. As músicas seguem um sequência, que abordam questões de uma relação amorosa onde não há reciprocidade, relação de amor e ódio, ponto final e esperança de um novo ciclo.

Hugo Lins – O vento ao longe

Lançado no início do mês de Novembro, o artista Hugo Lins junto com a parceria dos músicos sueco Sebastian Notini e o francês Olivier Koundouno, fez experimentações com viola e percussões, buscando ampliar o alcance desses instrumentos, mesclando suas referências nordestinas e experiências musicais. O “O Vento ao Longe” expressa sonoramente uma forte rítmica onde os continentes se encontram dentro de um lugar imaginário criado pelo trio, conta com 12 faixas instrumentais. Conta com a produção e direção de Hugo Lins, Sebastian Notini, André Freitas, Laura Proto. Arte da capa de Glauber Arbos e Design gráfico de Marcela L’Amour.

Zé Manoel – Do Meu Coração Nu

O cantor, compositor e instrumentista pernambucano Zé Manoel apresenta em Do Meu Coração Nu uma sensibilidade rara e necessária atualmente. O disco abre com uma canção que flerta com o afrofuturismo e segue por toda a escuta passeando por climas que trazem essa junção de passado, presente e futuro, seja pela musicalidade, seja pelos temas das letras. O músico trata de temas ligados à negritude por diferentes ângulos, desde a violência policial até a riqueza da cultura de matriz africana. O destaque do trabalho é a lista de convidados, que ajudam a contar a história da pluralidade da produção intelectual negra no brasil, e a já conhecida habilidade do músico ao piano, que chega em um outro patamar e o coloca de vez como um dos principais pianistas da música popular brasileira.

 

 

E mais:

Jup do Bairro – “Corpo Sem Juízo”

Hiran – Galinheiro

Mateus Aleluia – Olorum

Caetano Veloso & Ivan Sacerdote 

Liniker, Luedji Luna, Letrux, Maria Gadú e Xênia França – Acorda Amor

BaianaSystem e Gilberto Gil – Gil Baiana Ao Vivo em Salvador

Arnaldo Antunes – O Real Resiste

Boogarins – Manchaca Vol.1

Hot e Oreia – Crianças Selvagens

Sebastianismos – Sebastianismos

Jadsa – Taxidermia Vol. 1 (EP)

Amanda Magalhães – Fragma

Josyara e Giovani Cidreira – Estreite

Bella Kahun – Crua

Orquestra Afrosinfônica e Ubiratan Marques – Orin, a língua dos anjos

NDK – O Selenita

Murilo Chester – Planos e Danos

Ian Cardoso – Devoto Franco

LunaLibre – Hum (EP)

Mariana Froes – Nebulosa 

Martin, Kishi & Gui Vol. 1

Rico Dalasam – “Dolores Dala Guardião do Alívio“

Tatá Aeroplano – “Delírios Líricos”

Luiza Brina – Deriva (EP)

Pedro Pastoriz – Pingue – Pongue com o Abismo

 

— Com curadoria de Tai Muniz, Natalia Bretas, Lucas Bosso, Natalia Aiello, Alice Rodrigues, Marcelo Argolo e Felipe Qualquer.

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