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Entrevista

“Supermodel” é o single que apresenta a carreira musical de Halessia

Foto: WHERB.

Referência na arte drag, performer, DJ, youtuber, hairstylist, fashion queen, capa da Vogue 2020 e, agora, assumidamente, pop star! Halessia é múltipla, potente e desde sua chegada em São Paulo, há 4 anos, vem explorando seu mar de possibilidades expressivas, realizando sonhos, abrindo caminhos, ocupando espaços e inspirando pessoas a chegarem tão longe quanto. 

“Todo mundo pode ser uma supermodel, todo mundo pode ser uma star, essa é a mensagem […] Esse é um dos lados que mais mexe comigo, de conseguir inspirar as pessoas por estar lá e mostrar que a gente consegue e tem que ocupar espaços!”

Com o sonho da música sempre latente, a artista abre, agora, um novo capítulo na própria história, e, se reinventando mais uma vez, revela “Supermodel”, o primeiro single de sua carreira musical, produzido por Malharo. Com referências que vão de RuPaul à Madonna, o som é quase que autobiográfico, nascido a partir do conhecido sample da intro de seu canal do YouTube, reforçando a imagem supermodel, mergulhando no universo fashion e, assim, contando um pouco mais da história de Halessia. 

Com a certeza de que o projeto musical foi um grande motivador durante a pandemia e íntima da estética visual, o som vem acompanhado de um videoclipe cheio de surpresas, idealizado e dirigido por ela mesma. 

 

Nesta entrevista, trocamos sobre os passos da artista até aqui, detalhes da produção e as possibilidades de próximos trabalhos no ramo musical.

SOM: A ideia é falar sobre essa sua chegada no cenário musical, mas, antes de entrarmos nesse assunto pra ficar, conta pra gente como foi essa loucura de capa da Vogue?

Halessia: Quase caí pra trás. Eu não estava esperando o convite. Não acreditei. Foi uma surpresa pra mim. O Pedro Salles mandou uma mensagem e falou “Vamos fotografar a capa da Vogue, mês de Outubro?”. Eu, de cara, aceitei. Nós fomos alinhando as coisas, me passaram várias refs, muita coisa fora da minha zona de conforto, eles queriam fazer uma coisa super drag e minha estética na época estava mais clean. Eu fiquei super nervosa no começo do processo, admito, mas no dia eles deixaram a gente fazer o que a gente queria em relação a maquiagem, o que nos representasse mesmo… Eu achei isso muito legal! Até porque é uma coisa histórica, né?! Uma coisa muito marcante na vida de todas nós que participamos disso. E a representatividade que isso traz é muito grande, porque imagina, você ser uma criança gay, dentro de casa, com pais preconceituosos e não consegue ou não pode se assumir, não se sente confortável com isso… Ver drag queens na capa da Vogue, sabe? Isso é muito motivador e inspirador para qualquer pessoa. Quando eu era essa criança eu não tive essa inspiração. Não consegui me ver em algum lugar assim, então hoje em dia, a gente estar lá na capa da revista, para inspirar outras crianças, jovens e pessoas, que passam pelas mesmas coisas que a gente já passou, é incrível, é muito motivador! Essa é a importância, têm toda uma história por trás disso, mas acho que esse lado é um dos que mais mexe comigo mesmo, de conseguir inspirar as pessoas por estar lá e mostrar que a gente consegue, sabe? A gente consegue e tem que ocupar espaços!

A capa da Vogue era um sonho que estava na caixinha de sonhos mais difíceis, mais impossíveis… e que do nada aconteceu! Então acho que depois disso, liberou uma sensação de que tudo é possível, basta a gente querer, correr atrás e sonhar com aquilo, que tudo é possível! Parece uma frase meio clichê, meio pronta, mas é real!

SOM: Como surgiu o interesse pela música? Já pegava pra você há um tempo? 

Halessia: Eu sempre fui muito ligada no mundo da música, eu sempre precisei da música pra viver… ficava 24 horas escutando música, a música me motiva, me movimenta e eu sempre tive o sonho de ser uma pop star! Eu pensava, porque eu não posso ser uma cantora? Estar em cima do palco, brilhando? Porque eu já estava em cima do palco só que não cantando, apenas interpretando. E eu amo! Mas porque eu não poderia estar cantando a MINHA música? Sabe?

Uma das coisas que me motivou a fazer a primeira música com o título “Supermodel”, com essa batida dela, foi a intro do meu canal. A intro já é um sample que tinha essa pegadinha, essa batidinha, o supermodel. Eu quis me lançar com a primeira música, com essa “nostalgia” pra quem me acompanha! Porque desde os primeiros vlogs do meu canal, a gente já usava essa música como a intro, faz uns 5 anos já. Então isso é muito nostálgico e quem acompanha há muito tempo, ou com quem só passou pelo canal, viu um vídeo, não é inscrito mas acabou ouvindo a intro, vai entender. As pessoas sempre perguntavam nos comentários “que música é essa?”, falando da intro, tinham interesse em descobrir, saber o que era… Então eu quis juntar a curiosidade com a nostalgia de quem já acompanha há tempo e com meu gosto também, com o carinho que tenho por essa intro, pra fazer a música ter um sentimento a mais, ter um significado por trás.

SOM: Uma pergunta que vai láaaa atrás. O que te moldou, musicalmente falando? Tipo assim, quando você estava na casa dos seus pais e os seus pais dominavam o rádio de casa, o que tocava no rádio? E quando você cresceu mais um pouquinho e passou a ter autonomia do controle, o que passou a tocar nesse rádio? 

Halessia: Minha casa não era um ambiente que se escutava muita música, o tempo todo… Minha mãe sempre foi de ficar na TV assistindo novela e meu pai trabalhava muito e não ficava muito em casa. Mas tinha um momento no dia que ele colocava uma musiquinha pra escutar e quando ele ouvia alguma coisa era sempre um rock, ele gostava muito de Nirvana, Pink Floyd, Amy Winehouse… e eu gostava também! Não é o meu estilo musical favorito atualmente, não escuto com frequência, mas quando ele colocava pra tocar eu curtia o som, sabe? 

Mas, a partir do momento que comecei a ter acesso à internet, ter acesso a mp3, mp4, quando começou a lançar tudo isso, as primeiras referências de música que comecei a ter quando eu tinha o controle do que eu poderia escutar ali… Eu lembro que era Rihanna! Uma das primeiras referências que fiquei viciado quando ganhei meu mp3, fiquei apaixonado por Rihanna, ai logo depois começou Lady Gaga que é minha diva pop favorita. E desde então eu amo muito e tudo o que ela lança eu acompanho, me espelho muito nela, é uma referência da minha vida, da minha drag, da minha carreira musical, do meu trabalho, dos meus looks, posicionamentos, tudo o que ela faz eu concordo muito com ela, é uma grande referência. Ah! E outra curiosidade bem legal em relação a música, é que quando eu era criança eu gostava muito de comprar aqueles CDs Summer Eletrohits, eu AMAVA e ficava escutando horrores em casa, era tudo!

SOM: E as referências musicais para esse trabalho em específico?

Halessia: Para esse trabalho específico, musicalmente, peguei mais referências da cena drag! Queria vir com uma pegada bem drag music mesmo, usei muito como ref as músicas de RuPaul, inclusive o título é uma referência à RuPaul também, que é outra grande inspiração de vida pra mim, é um exemplo! As batidas tem referências de “Vogue” da Madonna, bastante coisas misturadas de refs que gosto muito!

SOM: Como foi a primeira experiência com uma música/letra SUA?

Halessia: Foi uma experiência muito divertida, porque a todo momento eu lembrava de uma frase nova, uma palavra nova que me representa, eu vivia mandando mensagens para o produtor, falando “ai isso tem que ter”,  foi uma parte muito divertida e muito prazerosa, eu adorei fazer a criação da música! 

SOM: Fala um pouquinho sobre como foi a produção do clipe e a escolha dos looks! Conta um pouco pra gente sobre os looks que vieram do acervo da Sabrina Sato. 

Halessia: Eu sou muito apegada ao visual, então eu tenho certeza de que toda música que eu for criar, eu já vou criar pensando no visual do clipe! Vivo por estéticas visuais, a imagem me representa demais. Quando a gente estava criando a música eu já estava pensando em tudo isso, na estética do clipe, nos looks, na minha expectativa em cima disso… E coincidentemente eu tive a oportunidade de fazer parte de uma gravação de live de DJs, que tinha um ambiente muito legal e consegui filmar algumas cenas pra mim, pra usar no clipe! Sabia que eu não tinha muito como investir, não tinha muito apoio, então era uma coisa totalmente independente, sabe? Aproveitei esse espaço para algumas cenas e depois de alguns meses conseguimos gravar o restante. A gente foi juntando o útil ao agradável. Me preocupei muito das cenas estarem uma na vibe na outra, iluminação, estilo de filmagem, não ficar coisas aleatórias… Eu me considero a diretora do clipe, pensei em tudo e dirigi tudo. As únicas pessoas que existiam na equipe eram eu, o fotógrafo e o filmmaker! Foi uma coisa realmente 100% independente. Vários amigos acabaram me ajudando com assistência no dia também, sempre importante dar os créditos! Foi uma experiência incrível.

Falando dos looks, são 7 looks no total. Cada um tem uma história específica, vou contar dos principais. Os dois looks que vieram do acervo da Sabrina, a gente já se conhece de um tempo e eu já emprestei algumas peças próprias para ela usar. 

Uma vez em um evento, elogiei um look dela, e ela falou: “amiga quando precisar pode pedir!”. Eu levei a sério! E quando apareceu o projeto de gravar essa live e eu já estava no processo de gravar umas cenas do clipe, eu pensei… “Porque não?”. Eu já conhecia esses looks, sou muito fã de latex, me considero uma latex queen! Eles liberaram o look super fácil pra mim, foi uma experiência maravilhosa poder usar um look icônico da Sabrina Sato no meu clipe, uma honra!

Aí temos outros né…  O vestido florido, cavadão, super fashion, que mostra o mamilo, bem andrógeno, me representa muito! É do ateliê Matheus Antunes, estilista de BH, que entrou em contato comigo há uns 2 anos atrás. Fizemos uma peça exclusiva na época, fiz shows com ela e depois de um tempo ele me mostrou essa outra peça que ele tinha feito, e falou que achou muito minha cara! Ai, ele me mandou o vestido… e eu amei! Eu não sabia onde eu ia usar, mas sabia que ia encaixar em algum lugar. Quando comecei a pensar sobre o clipe eu pensei “tem que estar no clipe”. Aí usei o vestido, luvas e meias de látex para complementar, com um cinto da Gucci pra finalizar e ficar super característica. 

E outros looks foram feitos justamente para usar o clipe!

SOM: Posso perguntar dos próximos lançamentos? Já tem alguma coisa em mente?

Halessia: Ideia é o que não falta, tenho muita ideia! Esses dias inclusive eu acordei do nada, com uma voz na minha cabeça que me falou o título de uma possível próxima música! Não vou dar spoiler ainda, mas com certeza vai vir muita coisa por aí, vão ter clipes incríveis e eu to super ansiosa pra saber como vai ser esse lançamento!

 

Como ela mesma diz: fashion, everybody wanna have! 

Entregou tudo, né? E vamos de streaming!

Escrito por

faço umas fotos, uns vídeos e junto palavras com opiniões. acredito na comunicação como agente de transformação, sou apaixonada por pessoas e dificilmente tô calçando alguma coisa nos pés. ★

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