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Entrevista

As Baías entram em nova fase: Transformação e ressignificação

Grupo prepara novo álbum e promete surpresas

Fábio Setti
Foto: Fábio Setti

Formado por Assucena Assucena, Raquel Virgínia e Rafael Acerbi, o trio trouxe alento e surpresas neste ano conturbado começando em Maio, com o lançamento do EP “Enquanto Estamos Distantes”, primeiro pela gravadora Universal Music e quarto registro da banda.

Recentemente, em Setembro, As Baías surpreenderam com os singles “Coragem” e “Respire”, parceria com MC Rebecca e Rincon Sapiência, respectivamente. Logo na sequência, veio o anúncio do novo álbum, que já apresenta os singles “Você é do Mal”, com participação de Cléo Pires, “Muito”, e “Eu Te Amo” com Kell Smith.

O trio formado no ano de 2011, por então colegas de faculdade, tem uma evolução marcante, tanto na estética quanto na sonoridade, “Temos constante inquietação e vontade de criar, principalmente num momento como este onde as pessoas necessitam de arte”, conta Assucena Assucena.

O primeiro álbum “Mulher” (2015) escancara o feminino já na capa, concebida pelo artista plástico Will Cega, trazendo um trabalho mais cru, gutural e catártico. Os projetos seguintes, “Bixa” (2017) e “Tarântula” (2019) foram bem executados e originais, tendo elementos da tropicália, do pop e passeando por outros estilos, enquanto trouxe os integrantes com o poder do “carão”.

Em “Enquanto Estamos Distantes”, a estética se apresenta mais delicada, um toque renascentista muito presente na capa, nas melodias, harmonias e letras mais delicadas e melancólicas, sem no entanto perder a força do grupo. O lançamento dos singles “Respire” e “Coragem” apresenta um som eletrônico com clima de “se acabar na pista” e, talvez, tenha marcado a maior mudança até então: a alteração do nome do grupo de As Bahias e a Cozinha Mineira para As Baías, como já era abreviado pelos fãs. O SOM conversou com o trio sobre transformações, projetos e novidades:

SOM: Como foi o desenvolvimento da estética e identidade do grupo nesses 5 anos? Vocês participam ativamente na construção das capas, da identidade e da imagem?

RAFAEL: A gente desde o primeiro álbum buscou inovação, mix de influências, ideias em nossos projetos, e isto foi ficando cada vez mais evidente no nosso trabalho. Sobre participar ativamente da construção e identidade, a gente busca sempre estar envolvidos em todo o processo, sempre com uma grande equipe muito competente. Esta junção de ideias é o que torna o trio único. (risos)

SOM: Essa evolução foi natural ou algo que já queriam explorar?

RAQUEL: A palavra “mudança” sempre foi algo extremamente presente na banda. Sempre fomos apaixonados pelos mais diversos gêneros e sempre trouxemos isto na nossa música, e isto fica cada vez mais visível ao decorrer dos anos conforme o Rafa disse. Esta nova era das “Baías” é mais um novo momento muito especial de músicos que sempre estiveram abertos a mudanças, evoluções e transformações. Aguardem pois tem muita novidade por vir!

SOM: Como aconteceram as ideias/propostas para essas colaborações? Foi algo que rolou durante o período de isolamento ou já tinham essa intenção? Como foi o processo de decisão de produzir e de gravar algo em quarentena?

ASSUCENA: Foi tudo planejado e construído durante a quarentena. Com nossa constante inquietação e vontade de criar, principalmente num momento como este onde as pessoas necessitam de arte. Tanto a Rebecca quanto Rincon, são artistas que a gente sempre admirou, e poder transformar isto em realidade, e trazer eles para nossa música foi uma grande honra e uma super inspiração. Foi uma linda troca que veio junto com esta nova era das Baías. Tem sido tudo muito especial e um grande aprendizado para todos nós.

SOM.VC: Um álbum 100% visual, em que a primeira faixa já conta com um super time: feat. com Cleo, direção de Gringo Cardia e produção musical de Daniel Ganjaman. Como foi essa experiência?

RAFAEL: Foi uma experiência única e inesquecível, poder trabalhar com um time tão incrível como este. Muito feliz com todo resultado, com a recepção do público, e por a Cleo ter aceitado entrar nesta conosco. Foi uma grande troca, a gente deu nosso melhor atuando, viu? (Risos) E rolou até um super beijão entre nós e Cleo. O single marca o início de um super projeto que vem por aí. Está bacana demais.

SOM.VC: Vocês podem falar um pouquinho sobre os próximos feat. (Luísa Sonza, Kell Smith, Linn da Quebrada)? Vale dar dicas sobre o feat. surpresa também para a galera do SOM!

RAQUEL: O que podemos adiantar é tem muitas surpresas, vocês com certeza irão se surpreender com os lançamentos, e com este feat surpresa. A gente vem trabalhando há meses para entregar um trabalho muito lindo para todos vocês.

SOM.VC: Como está sendo esta relação com as lives, de se apresentar sem o calor do público, mas ganhando um alcance maior? É algo que vocês pretendem continuar explorando após a retomada dos eventos com público?

ASSUCENA: Com certeza foi algo inesperado para todos nós que estamos super acostumados com o calor e contato do público, tudo isto faz uma enorme falta. Tendo em vista todo o contexto atual, as lives para nós artistas foi uma saída e um meio de nos adaptarmos a esta nova realidade. A gente não queria ficar parado, e não queríamos deixar de levar entretenimento e arte pro público que estava em casa. Acredito sim que será uma ferramenta muito útil pós pandemia.

SOM: As Baías foram indicadas pela segunda vez ao Grammy Latino. Como é a relação de vocês com a fama, com a notoriedade, com o reconhecimento do trabalho? Mudou a forma de se relacionar com a música, após tornar-se profissão?

RAFAEL: De fato foi e tem sido uma grande mudança, ser reconhecido pelo nosso trabalho Brasil a fora, além de ter tornado isto como algo profissional. Tem sido transformador e uma grande experiência, sem dúvidas. Estamos muito felizes com esta segunda indicação consecutiva ao Grammy Latino, desta vez pelo álbum “Enquanto Estamos Distantes”, produzido por mim.

SOM: No contexto em que ainda vivemos, com tantas mentes com ideias pequenas para quebrar, ou como escreveu Cazuza “essa gente careta e covarde”, é emblemático (mesmo que não proposital) termos uma banda com duas mulheres trans e um homem branco cis?

RAQUEL: Com certeza, principalmente por vivermos ainda numa sociedade cheia de preconceitos. A gente vem com força para mostrar a qualidade dos nossos trabalhos e a vontade que temos de espalhar cada vez mais a nossa arte por aí. Não iremos parar!

Confira o excelente clipe “Você É Do Mal” com Cleo Pires:

 

Escrito por

Apaixonada pelo universo da música, presença frequente em shows e festivais, exploradora de novas tendências e colecionadora de sons em playlists.

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