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O Canto Delas: a potência negra feminina na cena atual da música carioca

 Certamente a música brasileira não seria o que é sem a presença delas, as mulheres. Do mesmo modo, se buscarmos historicamente temos um legado consolidado e estrelado por mulheres que tem seus nomes ecoando nas caixas de som de todo o mundo.

No samba, temos as icônicas Jovelina Pérola Negra, Tia Ciata, Dona Ivone Lara, Tereza Cristina e Alcione. No funk Tati Quebra Barraco e Deize Tigrona. Na black music, Sandra de Sá, na MPB Elza Soares e por aí vai. De fato que citamos apenas algumas. Com toda certeza foi com muito trabalho, dedicação e força elas se perpetuaram nessa linha do tempo. Além disso, com seus cantos fincaram suas participações com importância nas várias vertentes da música no estado do Rio de Janeiro.  

Visto que hoje essa mesma cena é muito mais pulverizada por elas. Novos nomes surgem com constância e alcançam públicos diversos para além das fronteiras geográficas. Pensando nessa nova realidade, devemos apresentar e exaltar algumas pretas cariocas que são promessas nesse espaço que é celeiro de talentos importantes para a música mundial.  

 

Malía

Inegavelmente Malía é um sucesso. Com uma carreira cada vez mais estruturada aos 22 anos de idade, a cantora da Cidade de Deus tem um talento único e uma força visual e sonora sem comparações. Já emplacou música em novela, regravou Alcione, cantou no festival Back2Black que teve como atração principal Erykah Badu, cantou no palco Favela do último Rock in Rio. Contudo segue traçando sua própria rota nessa jornada musical. A carioca tem um EP “Zum Zum Zum” (2017), um álbum “Escuta” disponibilizado em 2019 e uma série de singles. 

Camila Zasoul

 

Do mesmo modo, diretamente da zona oeste do Rio de Janeiro, Camila Zasoul traz frescor e afeto no R&B e no Hip-Hop carioca. Cantora e compositora, Camila tem apenas 21 anos e já tem vários sons tocando por aí, trabalhou ao lado do rapper Delacruz, no qual emplacaram o sucesso de “A Meta é Ficar Bem”, já se apresentou no Circo Voador e também no Rock in Rio (2019). De fato, Zasoul faz parte de uma leva de talentos que surgiram nos últimos três anos na cena do rap. Recentemente lançou a música “Florescer” ao lado da rapper Lourena e está participando do projeto “Hip-Hop Vídeo Traxx 2020” ao lado de artistas da zona oeste.  

 

Em todo lugar do Rio tem inúmeras vozes de potência negra feminina. 

Ella Fernandes – Foto Lucas Alves

Com toda certeza, a gonçalense e multiartista, Ella Fernandes é inspiradora. Da mesmo forma, é dona de uma voz carismática e tem uma calmaria de quem sabe que veio para brilhar. Ella é cantora, atriz, figurinista, poeta e tantas outras. Com apenas 26 anos, Ella já cantou ao lado de Seu Jorge, se apresentou no projeto multimídia “Nave – Nosso Futuro é Agora” no Rock in Rio do ano passado e esteve no festival de cultura urbana Arte Core. Também interpretou uma slammer, as famosas poetas de rua, numa novela da Globo. Além disso, fez uma versão de “Cálice” de Chico Buarque e tem alguns sons circulando nas playlists e rádios do Brasil à fora como “Barbie de Rua” e “Vai Ficar Tudo Bem”. Certamente Ella Fernandes é uma potência em ascensão.

Amanda Amado

Eventualmente, quem é morador do Rio e frequentador de rodas de samba já ouviu e viu Amanda Amado dando canja em alguma dessas rodas. A carioca faz parte de uma gama de mulheres que estão à frente do samba carioca na atualidade. Nascida em Magé e com 27 anos de idade, Amanda já esteve no The Voice Brasil, ficando entre os oito finalistas e já cantou composições de Leci Brandão e Arlindo Cruz. Atualmente lançou o single “Quase Meio Dia” numa proposta de black music. Contudo a voz incrível de Amanda Amado tem passeado pelas vertentes da música carioca e não só no samba. 

Do rap ao samba, elas fazem suas próprias trajetórias

Luciane Dom

Do mesmo modo, Luciane Dom é historiadora, cantora e compositora de música popular brasileira. O sobrenome não é à toa, a artista possui talento único. Assim, seu trabalho musical está em contato direto com suas raízes africanas e a identidade visual de suas músicas é de beleza singular. À princípio nesse ano lançou obras ao lado de artistas como Dona Conceição e Valuá, ambos com clipes disponíveis na internet. Além disso cantou com Luedji Luna no Circo Voador e também já trabalhou ao lado de Rubel em seu primeiro álbum, “Liberte Esse Banzo”. Luciane Dom também já se apresentou no festival de verão do Rio, o Spanta, fez três turnês internacionais passando por lugares como Bronx, Brooklyn, Queens e também Chile. 

Tuany Zanini

Certamente Tuany Zanini veio de São João de Meriti para mostrar que em todo o canto do Rio de Janeiro existem joias brutas a serem encontradas. Ao passo que com apenas 24 anos, essa jovem de presença forte e músicas de letras potentes, já se esteve no programa Show Livre e também foi uma das novas vozes que se apresentou no Palco Favela do Rock in Rio. Além disso, seu último trabalho se chama “Guia” um EP com quatro faixas. Além de tudo, a artista carrega também, como muitas mulheres, a façanha de ser várias. Sendo assim, é atriz, produtora, cantora e compositora. Em seus sons costuma explorar os ritmos de R&B e black music. 

Com toda certeza, Tuany, Luciane Dom, Malía, Zasoul, Ella e Amanda são apenas alguns dos nomes de muitas mulheres pretas que surgiram nos últimos tempos, que precisam ser compartilhadas, ouvidas, estudas e incentivadas.

Você já ouviu uma mulher preta hoje? 

Escrito por

Costumo dizer que deságuo em palavras o todo que sou. Jornalista por formação, escritora e poeta por amor. Coautora do projeto audiovisual Despreendedores e criadora da página de poesias do Instagram Partículas Rotineiras.

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