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Entrevista

CARLOS GAYOTTO LANÇA SEGUNDO ÁLBUM “REALIZE”

Um convite para o ouvinte à auto percepção

Carlos Gayotto
Foto: Divulgação

Dedicando sua vida à criação artística multiplataforma, KK, também conhecido como Carlos Gayotto, é compositor e cineasta, acompanhado de um olhar expansivo e iluminado que, agora, traz ao mundo “Realize”, seu segundo álbum, sintetizando 11 anos de meditação Kriya Yoga em dez composições singulares que movimentam um convite para o ouvinte à auto percepção.

O álbum, produzido por um dos mais importantes arranjadores de música caipira brasileira, Neymar Dias, possui por essência um encontro até então inédito no gênero Folk: a guitarra elétrica, o pedal steel e a viola caipira. O resultado é um disco onde o Folk americano e a música sertaneja de raiz se encontram em arranjos de orquestra com forte influência cinematográfica. A engenharia de som é de Tó Brandileone e mixagem de Ricardo Mosca.

Aos 39 anos, KK lança “Realize” após produzir, escrever e dirigir mais de dois mil filmes e compor para trilhas de dois curtas-metragens nos Estados Unidos, além de seu álbum de estreia “Batista & Bando” em 2013.

O SOM conversou com o artista sobre os processos, sentimentos e desenvolvimento do projeto. Confira um pouco mais sobre esse abraço musical:

SOM: KK, você é compositor e cineasta, já produziu, escreveu e dirigiu mais de dois mil filmes, tem uma carreira de anos e, acredito que, de diversos momentos. Qual é o momento que Realize retrata e qual foi o gatilho para esse disco acontecer?

Carlos Gayotto: “Realize” nasceu da necessidade de desejar amor próprio ao próximo. É um conceito estranho, pois dá a impressão de que há um paradoxo entre o amor ao próximo e amor próprio, certo? Mas quando percebemos que aquele mandamento “amar ao próximo como a si mesmo” exige uma equidade nessa relação, é necessário realizar que uma coisa está diretamente ligada à outra.

SOM: Como foi o processo de sintetizar toda essa caminhada e concretizar essas dez faixas?

Carlos Gayotto: Tenho muitas músicas guardadas mas “Realize” foi acontecendo e apenas duas que se conectavam a essa verdade, que eu precisei resgatar de 2008 e 2009, são “Turn The Tide” e “Even Minded”. As demais foram feitas durante o processo do disco, começando por “No Boy”, “Wine into Water” e alguns versos de “Turn The Tide”. Após o falecimento da minha mãe, nasceram canções como “Colors of the Fall”, “Unlike Plato’s Cave”, “Todo Sonho Feito”, “Territórios” e “Senhor do Tempo”.

SOM: Fala um pouco sobre as pessoas que você escolheu para estarem com você nesse álbum [Neymar Dias, Paulo Perin, To Brandileone…]

Carlos Gayotto: Tenho muitos e muitos amigos na música graças aos MINIDocs, ao 5 a Seco e ao Rafael Alterio, na Gargolândia. Tudo o que você der para a música ela te retorna em dobro e ganhei grandes amigos fazendo os MINIDocs. Porém minha relação de identidade musical e admiração com o Tó Brandileone e o Neymar Dias são muito intensas e viramos praticamente irmãos. Não teria como fazer um disco sem eles. E chamar o Mosca para mixar foi uma consequência natural, bem como vários dos caras que tocam no disco. É um privilégio muito grande poder acessar esses músicos gigantes da nossa música para tocarem comigo.

SOM: E como foram os momentos de estúdio com essa galera envolvida?

Carlos Gayotto: Passar horas e dias em um estúdio criando não poderia ser mais feliz do que unindo o Neymar com o . O nível de sintonia transcende a música e começa a virar quem somos de fato, sem nenhum filtro. O resultado disso foi muita risada, pois podíamos falar o que quiséssemos e o que saiu foi nossas versões mais relaxadas, mais engraçadas. Eu faria outro disco só para poder dar tanta risada quando demos – ainda mais em um tempo super difícil como foi e tem sido a pandemia.

 

SOM: Tratando como a experiência multiplataforma que “Realize” é: Quais são as referências musicais do trabalho? E visuais?

Carlos Gayotto: Visualmente, chamei a Paty Black para fazer a capa com o Uibirá e fotos da Carol Curti. Queríamos algo que contrastasse luz e sombra, que é a verdade do “Realize”, essa contraposição. O relógio solar está presente em muitas referências, bem como nos origamis do Teidy Nakao. Os filmes, visualizers, eu quis contrapor imagens – como dizia o Einsenstein sobre os ideogramas – para formar uma terceira imagem na cabeça de quem assiste. Falei muito ali sobre ancestralidade e sobre presente, passado e futuro acontecendo ao mesmo tempo em dimensões paralelas. Assistindo do início ao fim, uma música após a outra, tem um sentido. Assistindo isoladamente cada música, há outro sentido.

SOM: É inegável os traços do Carlos Gayotto cineasta aqui. Conta um pouco pra gente sobre onde esses caminhos se cruzam? E quais são os novos caminhos que estão se abrindo com essa obra?

Carlos Gayotto: Eu tenho muito apreço pelas histórias contadas em diversas formas. Não há apenas uma forma. Estudo as artes e seus movimentos desde muito cedo e tento sempre propor algo novo para um dado momento e um dado público. Entendi que “Realize” era isso: algo para ser dito como uma instalação, com experiências sensoriais, visuais e poemas, tudo com música orquestral ao fundo. Não seria isso também uma narrativa?

Toda escuta é uma abertura para a luz – “Realize” de Carlos Gayotto está disponível em todas as plataformas de streaming.

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faço umas fotos, uns vídeos e junto palavras com opiniões. acredito na comunicação como agente de transformação, sou apaixonada por pessoas e dificilmente tô calçando alguma coisa nos pés. ★

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