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CHARLOTTE MATOU UM CARA LANÇA AS BASES PARA FUTURO DO PUNK

Banda promete novo disco “Atentas” para este segundo semestre

Charlotte Matou um Cara
Foto: Reprodução

Vou morrer e a música punk sempre terá um lugar especial no meu coração. Esse estilo me ofereceu uma maneira de liberar todas as minhas emoções e frustrações acumuladas. Se eu estava com raiva do mundo, de meu país ou das minhas tias conservadoras, tinha o punk para me ajudar a gritar e enfrentar. Se eu estava com medo, ele me empolgou com sua atitude sarcástica, nua e crua.

“Punk” pode significar muitas coisas diferentes – uma atitude, uma perspectiva, uma verdade jogada na cara sem dó nem piedade. É essa interpretação aberta que deu ao gênero uma vida tão longa – e agora, a banda paulista Charlotte Matou um Cara formada por Déa, Nina Dori e Camis, está definindo sua própria versão.

Me parece que a Charlotte talvez não perceba, mas sinto que começa sua própria cena DIY adjacente ao punk local, experimentando e eventualmente chegando a uma abordagem de composição furiosa não apenas por sua política, mas por suas experiências pessoais do mundo. Isso inclui como elas cuidam de si mesmas e umas das outras. Punk rock … como autocuidado!

As canções da banda são incrivelmente contundentes, abrasivas e políticas. A música delas tem uma energia caótica e cheia de fúria que vai bem com as letras, detalhando sua frustração com a sociedade e os obstáculos que ela coloca na vida das mulheres.

Charlotte Matou um Cara

Foto: Reprodução

Meu encontro com as garotas da banda deu-se via zoom. Eu em Lisboa, elas cada uma em sua residência em São Paulo. A percepção que tive foi que elas passavam por um período de séria autodescoberta, tornando-se artistas e pessoas enquanto se adaptam ao mundo em mudança, abraçando uma natureza evolutiva de suas vidas pessoais. Elas apresentam, cada uma a sua maneira, traços de lirismo repleto de angústia, totalmente perceptível nos riffs distorcidos e vocais com temperos nada açucarados, a banda possui todos os elementos para levar as coisas a um ou dois degraus acima, apropriadamente, já que a própria banda, em nossa conversa passou a mensagem de que está no caminho da guerra para se redefinir com tons de pós-hardcore e Riot Grrrl.

Vale destacar a guria autodidata cujo trabalho da baqueta é tão simples e impressionante quanto as linhas de guitarra e baixo da banda. Sinto que os anos vão passar e elas não vão falhar, batendo em uma fonte sem fim de inspiração e nunca deixando de voltar com uma matriz atraente de letras que conseguem parecer pesadas ​​sem serem pesadas, que batem forte empregando musicas que são desconcertantemente descomplicadas.

A banda tem alguns ganchos brilhantes, atmosfera calorosa e sangue frio. A ortodoxia se revolta, teme uma curva fechada em direção ao confronto direto e sente que sua apreensão será justificada quando descobrirem que Charlotte Matou um Cara muda a receita pré aprovada. Para esta banda, incursões cuidadosas no hardcore e grind são equivalentes à apostasia, mesmo que o ouvinte atento saiba que os repertórios externos dessas musicistas possam incluir músicas pop-rock, baladas acústicas, rock alternativo e até mesmo a música ocasional vinda dos hard rocks da vida. A banda tem campo para se tornar algo específico em nossas cabeças, algo poderoso, mas confiável e, como tal, talvez um pouco imprevisível.

Charlotte Matou um Cara

Foto: Reprodução

 

Por mais que a Charlotte Matou um Cara seja um exame da noção sugerida, a sensação de que todas estamos em uma busca para recuperar alguma aparência de alegria e paz após um dos piores dois anos da nossa história moderna – é também sobre não vomitar qualquer coisa para fora, e sobre como resistir às mudanças no passo lento da sociedade brasileira. O Caminho do Bem-Estar é o passeio tranquilo que você só pode realmente apreciar depois de um período de turbulência. A banda que parecia ansiosa para rever seu público em 2021, deve agora estar apenas tentando se manter viva e talvez se divertir ao longo do caminho, mas é, na minha humilde opinião um futuro destaque politicamente potente, que pode não agradar a todos, mas oferece provas incontestáveis ​​de que essa banda ainda pode ganhar o país.

Agora em 2021 elas lançaram uma campanha de financiamento coletivo para a produção de seu segundo e aguardado disco, o “Atentas” deve sair ainda neste segundo semestre.

 

Ouça + Charlotte Matou um Cara:

 

 

 

Escrito por

Nasci em terras tupiniquins, mas sou cidadão do mundo... um poeta amador escrevendo beats numa jornada artística com pitadas de jornalismo. Essa fase da minha vida começou nos corredores da UEL entre 2005 e 2008. De 2012 a 2014 fui apresentador na Web Radio ALMA Londrina e Fiz um filme com a Maria Alice Vergueiro, ela mesma, diva que você conhece do curta: Tapa na Pantera. Esse filme eu fiz com os amigos da Clareira Filmes (2013) e Em 2011 trabalhei na produção de um curta com o ator inglês George Antoni para a Union Films - UK. Antes, de 2008-2010 colaborei com a revista Dynamite como correspondente em Londres. Antes de me aventurar escrevendo para a som.vc, eu andava testando novas linhas e contornos para o esquecido gonzo jornalismo... na revista digital: escuta que é bom.

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