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COMO NASCEU A BOSSA NOVA?

O ritmo foi responsável por levar a sonoridade brasileira mundo afora

Bossa Nova
Foto: Acervo Tom Jobim/Divulgação

O Brasil tem uma grande e forte movimentação artística no século XX, que perdura até os dias de hoje com suas novas perspectivas musicais. No texto introdutório a essa coluna dos ritmos e movimentos populares brasileiros, eu trouxe uma breve introdução sobre o contexto da música brasileira no início do século XX no país.

Dentre as grandes manifestações artísticas e movimentos musicais aqui criados, hoje iremos abordar a história da Bossa Nova, que nasceu nos anos 1950 e foi um movimento que marcou a história da música brasileira, nos fazendo ter reconhecimento mundial, sendo um dos poucos ritmos brasileiros tocados no exterior até os dias atuais.

Foi através de reuniões casuais no apartamento de Nara Leão, em Copacabana, bairro de classe média do Rio de Janeiro, que um grupo de amigos se reuniam para fazer música e dentre eles estavam João Gilberto, Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra, Chico Feitosa, Sérgio Ricardo, entre outros. Seus primeiros concertos foram realizados na universidade e depois foram ocupando o Beco das Garrafas, uma travessa que abrigava um conjunto de casas noturnas, no mesmo bairro, nas décadas de 1950 e 1960.

Bossa Nova

Foto: Acervo

Com sua inovação harmônica da música popular brasileira, a Bossa Nova nasceu para renovar, de uma forma simplificada, a batida do samba de raiz e internacionalizar a música brasileira e foi com o lançamento da música “Chega de Saudade” na voz de Elizeth Cardoso, composição de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, onde tudo começou. Posteriormente, com o lançamento do LP de João Gilberto intitulado com o mesmo nome da canção, em Agosto de 1958, mesmo não havendo sucesso imediato, foi a partir dele que se consolidou o início do movimento, mas somente nos anos 1960 que ganha toda a sua repercussão.

Por forte influência do jazz, o famoso “voz e violão” é o que determina a forma de tocar e cantar o ritmo, sendo caracterizado pelo canto-falado, em tom baixo e suas composições são conhecidas por trazer temas leves, sem muito compromisso com a realidade política. O termo “Bossa” é referência à uma composição de Noel Rosa, de 1930, onde diz “O samba, a prontidão e outras bossas, são coisas nossas” que significa “jeito de fazer as coisas”, com isso, houve a apropriação da expressão para sugerir que estavam fazendo música de uma nova maneira. 

Na década de 1960 houve um rompimento ideológico do movimento, onde novos artistas, como Dorival Caymmi, Marcos Valle, Francis Hime e Edu Lobo, traziam uma visão mais popular e nacionalista, além de criticar as influências do Jazz. Com isso, houve uma reaproximação com compositores de morro, onde Nara Leão aderiu a ideia e buscou parcerias com Cartola e Nelson do Cavaquinho e em 1966, houve o lançamento do LP “Os Afro-sambas” de Vinícius de Moraes e Baden Powell, considerado um dos grandes clássicos da música brasileira.

Em contexto internacional, a Bossa Nova chamou muita atenção inicialmente nos Estados Unidos. Em 1962, o saxofonista Stan Getz e o guitarrista Charlie Byrd lançaram o LP “Jazz Samba”, o que contribuiu na proliferação do ritmo no país. No mesmo ano, um concerto no Carnegie Hall, em Nova York, contou com a presença de Tom Jobim e João Gilberto, facilitando mais ainda em seu conhecimento. No ano seguinte, o lançamento do LP Getz/Gilberto, conquistou o reconhecimento mundial, conquistando o Grammy em 1965 e a música “Garota de Ipanema” ganhou uma versão gravada por Frank Sinatra.

No ano de 1965, Vinícius de Moraes e Edu Lobo, lançam a música “Arrastão” que ficou conhecida como o fim da Bossa Nova e início da MPB, onde foi defendida por Elis Regina no I Festival de Música Popular Brasileira, realizado na TV Excelsior e contou com a participação de diversos artistas responsáveis pela criação do movimento. Mas isso é história para outro post que falaremos muito em breve.

Além de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto, artistas considerados da primeira geração da Bossa Nova, também temos como referência Nara Leão, João Donato, Edu Lobo, Roberto Menescal, o grupo Bossa três, entre outros, sendo eles, artistas da segunda geração que trouxeram uma nova roupagem para o ritmo.

Creditos: Divulgação

Foto: Divulgação

Apesar da Bossa Nova ter durado pouco tempo, o movimento foi extremamente marcante e necessário para a nossa história musical brasileira. Com um legado incomparável, estima-se que há mais de 100 regravações de diversas músicas, tanto por artistas nacionais, quanto internacionais, como “Garota de Ipanema”, considerada a música mais regravada no mundo.

E como já diria Caetano Veloso “A Bossa Nova é foda!”

 

Escrito por

25 anos, Pernambucana, Batuqueira, Manguegirl, Estudante de psicologia, Amante da cultura popular e dissemina o melhor da música brasileira independente através da comunicação e produção cultural.

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