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DJ Kool Herc, o Pai do Hip Hop

Músico é considerado herói popular no Bronx

(Foto: Chris Hondros/Getty Images)

O dia 12 de novembro é dedicado ao Dia Mundial do Hip Hop e gostaria de saber se você já ouviu falar no DJ Kool Herc? Esse é o apelido de Clive Campbell, um DJ jamaicano que nasceu no dia 16 de abril de 1955. Seu nome é um dos mais importantes da história da música, sendo reconhecido como o “Pai do Hip Hop”.

 

Sua história começa em Kingston, na Jamaica, onde cresceu ouvindo os sons das festas dance hall, a coleção de discos de seu pai, Keith Campbell, e a notar como os DJ’s da cena jamaicana se comportavam. Aos 12 anos, em 1967, com seus pais e seus cinco irmãos, desembarcou no Bronx, em Nova York, um bairro marcado pela violência, pela criminalidade e a falta de oportunidades.

 

Ao frequentar a Alfred E. Smith Career e o Technical Education High School, Clive começou a ser chamado de Hércules, devido à sua altura. Nesse mesmo período, entrou para a turma do grafite, conhecida como Ex-Vandals, onde começou a usar seu famigerado apelido Kool Herc.

 

Back to School Jam

Convite para a Back to School Jam

Já integrado ao jeito americano de ser, Herc e sua irmã Cindy começaram a organizar festas no salão do conjunto de apartamentos onde moravam, na Sedgwick Avenue, nº 1520, onde o garoto testava seus primeiros breakbeats. No dia 11 de agosto de 1973, os irmãos Campbell organizaram o que mais tarde seria reconhecida como a primeira festa de hip hop, a “Back to School Jam”.

 

Munido de dois toca-discos, um mixer e um amplificador de guitarra, Herc isolou as batidas do funk e do soul de Mandrill, James Brown e Jimmy Castor Bunch, surgindo com a técnica de estender os intervalos (“breaks”), prolongando-os em loops. Surgia então a base da música Hip Hop, uma cultura totalmente nova.

 

DJ Kool Herc percebeu que a técnica “The Merry-Go-Round” (“O Carrossel”), mais tarde chamada de “breakbeat”, era o auge da festa, onde os dançarinos, os chamados por ele de b-boys e b-girls, apresentavam suas melhores performances. A cultura das falas rimadas, que mais tarde se desenvolveria e resultaria no rap, surgiu das ideias de Herc ao pegar o microfone e dizer:

 

“Rock on, my mellow!”

“B-boys, b-girls, are you ready? Keep on rock steady”

“This is the joint! Herc beat on the point”

“To the beat, y’all!”

“You don’t stop!”

 

Com a mística de seu nome, sua grande estatura física e a reputação de suas festas animadas, Kool Herc se tornou um herói popular no Bronx. O DJ começou a tocar em clubes e escolas com seu gigantesco sistema de som que fazia com que as pessoas sentissem a música em seus corpos, literalmente.

Park Jam Bronx 1970’s

Quando se tornou um DJ profissional, os discos ocuparam todo o tempo de Herc, que já não conseguia conversar com a multidão. Ele precisava de alguém para lhe ajudar e atuar como o Mestre de Cerimônias de suas apresentações. E foi assim que Coke La Rock se tornou o primeiro MC de todos os tempos.

 

O hip hop se tornou uma expressão cultural inigualável, que deu oportunidade a jovens de escreverem outro futuro que não fosse o da violência. DJ Kool Herc, seguido por Afrika Bambaataa e Grandmaster Flash, mostrou ao mundo o poder da música negra que até hoje inspira, movimenta e conquista multidões.

Grandmaster Flash, Afrika Bambaataa, e Kool Herc na capa da Source Magazine, na edição de Novembro de 1993, pela lente de Chi Modu

Escrito por

Aficionada por música, reconheci minha vocação cultural ao longo da graduação em Química na UFV e decidi me dedicar às novas profissões após concluir a faculdade. Atualmente, atuo como redatora, curadora musical, produtora de conteúdo e assistente de produção executiva. Sou idealizadora do perfil TODO DIA UM CD DIFERENTE no Instagram, onde escrevo sobre discos nacionais e internacionais, elaboro playlists e abordo temas relacionados à cultura e à sociedade.

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