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Coberturas

FESTIVAL MAGNÓLIA

Na semana que passou, de 15 a 19 de março, a Cidade de Chapecó viu o amadurecimento de um projeto lindíssimo que coloca a cidade na rota dos grandes e importantes festivais de música independente do Sul do Brasil, o Magnólia Festival.

Chapecó é uma cidade conservadora, se fizermos um apanhado na última eleição o atual presidente teve acima de 80% de todos os votos. O desastre que está sendo esse desgoverno está mais claro do que a água, para a cultura então nem se fala. Quem produz arte neste país, momentaneamente, está a beira da criminalização sendo assim tratado por essa escória que tomou o poder através de fake news e articulação golpista. A pandemia veio para dificultar ainda mais a vida, porém dentre as duas pragas que assolaram o setor o Bolsonarismo de longe é a pior delas. 

Se conseguimos durante a uma pandemia organizar coletivamente diversos movimentos de resistência mobilizando importantes vitórias inclusive com políticas públicas para o setor cultural, não seria diferente agora com a volta de eventos presenciais, a missão de proliferar a voz do descontentamento com “tudo isso que tá aí” e, foi exatamente isso que nós vimos acontecer em uma das cidades mais difíceis de lidar quando o assunto são liberdades e arte

Magnólia Festival 5° edição, o amadurecimento de um evento singular cujo a entrega para a cidade de “Xapecó” e também para o estado de SC foi e é inestimável. Um festival que mostrou que é possível fazer a diferença e unir diversas gerações em um mesmo evento, alinhando propósitos e fortalecendo a cena local e estadual. 

 3 momentos que fizeram a edição entrar pra história 

O primeiro deles vem na narrativa de resistência e espera de mais de dois anos para poder realizar uma edição que sofreu alterações de line up mas não perdeu a força, muito pelo contrário só aumentou o comprometimento e aprimorou a organização.

O segundo momento é a programação agregada da semana da música que se soma a programação do evento com atividades online e shows com bandas locais de graça no centro da cidade.

O terceiro momento o festival em si, organizado pensando não somente na estrutura grande e necessária de um evento desse porte, mas nos pequenos detalhes que fazem toda a diferença. 

Da programação online até o evento principal o percurso foi muito rico, com algumas bandas chegando a Chapecó 2 dias antes do evento principal e podendo acompanhar ao vivo os shows das bandas locais no centro da cidade e confraternizar em after partys que espontaneamente chegaram a roubar a cena. Sobre essa vivência presencial? Que saudade que estávamos dela. 

Os shows no Food Park

Nos dias 17 e 18 de março rolaram os shows no Food Park bem no centro de Chapecó, um local como o nome já sugere com aglomeração de restaurantes diversos e cervejarias, cercado de prédios residenciais e muito bem localizado com estacionamento próprio e gratuito.

Ali que a mágica se deu. 3 bandas no primeiro dia fizeram a cabeça da galera: EJ uma musicista não binária engajada com a causa LGBTQIAP+ com discurso afiado e rimas potentes abriu os trabalhos; logo depois veio a Iara Germer uma experiente cantora com forte raiz indigena que fez o show acompanhada de seus dois filhos, harmonias complexas e cantos para Pachamama deram o tom durante todo show, poesia pura um louvor a esse organismo vivo chamado mãe terra que devemos agradecer diariamente por ser nossa moradia. Por fim a incrível Amanda Cadore que puxou geral pra frente do palco e fez um show muito bom. Fica esse destaque aí para ela, que não só fez esse show incrível, mas participou de todas as festas, das Jams e de todo festival em si.

Muito do que tenho falado para artistas e bandas é sobre isso, não se trata de fazer o show e ir pra casa, mas sim de ampliar o networking se integrando ao evento e as oportunidades que ele dá e a Amanda fez isso com maestria.

No segundo dia era pra ter tocado mais três bandas, porém algum cidadão de bem resolveu chamar a polícia civil às 19hs de sexta feira após a primeira banda local Pinhel conseguir terminar o show e daí não pode rolar mais nada. Dandara Manoela e Orquídalia não puderam se apresentar. Fica a reflexão sobre o assunto.

Eram 19hs os shows e iam até às 21 horas o som estava baixo, certamente um decibelímetro mostraria. Porém, uma pessoa com alguns poderes de influência foi capaz de embargar o evento o que deixou não só bandas e público sem os shows como restaurantes e cervejarias sem consumo. Perdem todos os envolvidos, menos o tal cidadão de bem que, certamente, entrou em regozijo com sua ação fascista. 

Aí entra em ação o velho ditado sulista que diz “não está morto quem peleia” mais uma vez a força coletiva que buscamos durante estas situações de dificuldade entram em cena. Articula dali, conversa daqui e nasce uma novíssima produtora na cidade de Chapecó, a jovem Karen Gomes abre as portas da sua casa para que todo público fosse e monta o palco para que os dois shows não possíveis de serem realizados no Food Park fossem realizados em um clima de emoção, consternação e acolhimento.

Por outro lado, o Festival Magnólia já garantiu que na edição de outubro tanto Orquidália quanto Dandara Manoela tem presença confirmada. Os shows improvisados na casa da Karen foram emocionantes ao extremo a ponto de ao fim de tudo “agradecemos” o tal cidadão de bem por mesmo sem querer em uma ação para destruir ele não só uniu, como fortaleceu e deixou o movimento ainda mais forte! 

Depois dessa introdução, chega o grande dia com os shows mais aguardados na FASUL Eventos. Tudo pronto, os portões abrem as 16hs e o Coletivo Manivas tem a missão de abrir o evento, Os Curiós e Amanda Cadore também participam do show.

Logo na sequência vem o hip hop do Agoro e o maranhense Vinaa chega instigando com todo gás.  A estas alturas o público já está em grande número e os gritos de Fora Bol$onaro já começam a ser ouvidos em qualquer momento de silêncio.

Potyguara Bardo chega perto da perfeição em seu show, e deixa a bola picando pra única banda de rock da noite, Selvagens à Procura De Lei, resistência rock em tempos de resistência política! Festivais têm esse importante papel. Os capítulos finais são aqueles mais aguardados Mc Tha e Marina Senna.

Já perto da meia noite, Mc Tha está incendiando a plateia e girando a energia em uma espiral que envolve todo local, poucos minutos após a virada de 19 para 20 de março vem o Rito de Passá, abrindo os caminhos em dia de ano novo astrológico e equinócio de outono, potência máxima muito significativo. Mc Tha transcende, lava a alma e arrasa muito.

Marina Senna entra dando pressão política e inflama a galera, talvez ninguém esperasse isso, mas ela mandou a letra e fez a diferença tanto com um show incrível esteticamente quanto com uma postura política muito coerente e oportuna.  Que banda incrível, um show fluido que contou com a estreia de duas bailarinas que o deixaram ainda mais lindo. Marina é um fenômeno! 

Não menos importante a discotecagem do artista local Batuk Freak faz o público embalar as últimas e ir deixando o local com boa vibração musical. Ao ver o salão limpo ao final deu pra constatar que além do engajamento e vontade de ser feliz o festival consolida um público educado e muito responsável com as causas mais importantes para a regeneração de nosso planeta e humanidade. Meio ambiente, diversidade, educação e cultura.

No domingo 20 de março ainda houve tempo para uma celebração com um verdadeiro banquete na floresta linda onde fica a casa da organizadora Ana Laura e Flávio Testa e de seus pais que são pessoas cujo a áurea tem um brilho tão intenso que qualquer pessoa consegue ver ao longe. Difícil no entanto foi escolher entre todos os momentos proporcionados pelo festival o momento mais especial pois esse domingo off foi muito incrível também. 

Magnólia tá maduro e tá crescendo, fez uma entrega maravilhosa para a cidade e quem curte música alternativa se esbaldou, ainda há espaço para crescer mais e certamente irá crescer. Dias de Glória, dias de resistência, receba! Vida longa ao Magnólia. 

 

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1 Comment

1 Comentário

  1. Emanueli Dalsasso

    23 de março de 2022 at 14:57

    Que texto maravilhoso! O Magnólia foi incrível, muito bom compartilhar o evento com a presença de vocês <3

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