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Coberturas

Festival Saravá em Florianópolis

Em mais uma missão cobrindo essa volta dos festivais presenciais depois de uma pausa forçada por conta da pandemia, nós integrantes da equipe de colaboradores do S.O.M., Paulo Zé e Aline Mattos pegamos a estrada rumo a Florianópolis para vivenciar o Festival Saravá, mais um dos festivais filiados a ABRAFIN aqui da região sul do país. O relato que segue é baseado nas emoções vividas e sentimentos que permearam toda jornada dentro do festival.

Em uma edição especial, que podemos considerar a mais ousada de sua história o Saravá, que foi realizado no Norte da Ilha, tinha como locação o Life Club que parecia ser o ideal mas que no fim por motivos de desajustes acabou se tornando um problema principalmente com a questão da praça de alimentação que segundo relatos de diversas pessoas não foi nem perto do suficiente para sanar a fome do público tão pouco a diversidade de opções oferecidas. Essa crítica já foi assimilada pela organização do festival que se prontificou de sanar para as próximas edições que esperemos não sejam mais nesse lugar!

Um imenso palco foi montado oferecendo estrutura plena para as atrações que iriam tocar, uma pena que houveram atrasos na passagem de som o que resultou em um efeito cascata fazendo com que os shows acabassem muito mais tarde do que no horário divulgado na programação. 

 

A primeira atração a subir no palco foi Jesus Lumma com todo seu carisma e transbordando afeto. Recentemente sua música foi tema final da novela das 19h da Globo e dava para sentir no ar que o seu show, que já era por demais alegre, ficou mais ainda. O atraso acabou beneficiando sua apresentação pois o público já estava presente em ótimo número nesse momento. Nesse show, também houveram participações especiais de outras duas atrações locais, uma delas a incrível Dandara Manoela e o cantor Nunes. Jesus Lumma integrando e entregando tudo, tá pronto para ganhar o mundo pra muito além de Santa Catarina!

 

 

A segunda atração a se apresentar foi a Ana Frango Elétrico, que teve que encurtar seu show por conta de seu baterista ter testado positivo para covid. Ana fez o que pode com um baterista local que pegou as músicas em menos de um dia. O show foi ótimo enquanto durou. O público queria bem mais e ficou esse gostinho no ar.

 

 

O festival seguiu com Rodrigo Alarcon que fez um show redondinho cheio de amor. Dava pra sentir no ar aquela boa vibração digna de quem faz o que gosta e com o coração. O público cantou tudo a plenos pulmões! Um novo nome da nova música brasileira que vem conquistando audiência qualificada aqui na região sul do país. 

 

 

Surge então a Mc Thá com sua banda incrível, tenho tido a felicidade de ver shows seguidos da Thá e cada vez melhora mais. Para contextualizar também quem está lendo aqui, a noite em Floripa tava gelada, talvez uns 11 graus com sensação térmica de 5 graus, e a cantora aguardando entrar no palco de pés descalços como se estivesse no verão de salvador, esse pequeno detalhe que talvez possa ter passado despercebido de muita gente indicava que nem o avançado da hora nem mesmo o frio avassalador iria segura essa mulher de girar e girar fazendo seu rito de passar contagiar todo ambiente e aquecer significativamente o clima. Thá ainda atendeu com todo carinho os fãs depois do show e com um carisma admirável deu show de humildade, uma artista completa!

 

 

Na sequência houve uma troca na ordem dos shows, Cordel do Fogo Encantado cedeu a vaga para que a entidade Alceu Valença entrasse no palco mais perto do horário originalmente marcado para seu show. Aqui cabe um parênteses sobre a coragem de quem faz festivais nesse país movendo estruturas gigantescas, superando desafios que vão muito além das dificuldades de eventos pontuais, o que transforma a tarefa em uma ação de resistência em qualquer circunstância com seus acertos e seus erros. Muitas vezes não são coisas que podem ser controladas facilmente e todo evento tem os fatores surpresa, então nada adianta o artista ficar puto da cara por o evento estar atrasado e estar frio. O frio as intempéries são um desafio pra que faz festival aqui no sul pq aqui ainda temos as quatro estações e muitas vezes num mesmo dia em qualquer época do ano o que dificulta demais saber se vai chover, fazer calor torrencial, ventos, granizo, frio, neblina, no caso do Saravá tava frio mas não tinha nada de vento e o céu estava estrelado. Alceu estava meio bravo, mas sua brabeza desapareceu ao subir no palco e ver aquele povo ali na frente a saudá-lo como rei. Não tem perrengue que não seja superado com um público tão amável como o que estava lá. E o mesmo pode se dizer do inverso, pois o público passou perrengue também, mas a cada show as coisas iam transmutando no ar. Show do Alceu é clássico atrás de clássico todo respeito aos grandes mestre da MPB que abriram as vias da história para chegarmos até aqui!

 

 

O último show já no avançado da madrugada glacial entra no palco o Cordel Do Fogo Encantado, Lirinha parecia em fervura saindo fumaça do seu corpo e tocando de manga curta, era o Fogo Encantado, desta vez eles não fizeram chover mas fizeram um baile digno de uma festa junina, incendiaram a plateia. Cordel faz aquele show super impactante e eleva o clima do festival ao ápice, ainda que isso parecesse uma missão quase impossível depois do show do Alceu. Grande final épico para essa edição super ousada do Saravá que acertou na mão também ao convidar a Drag Queen rainha absoluta Suzaninha para apresentar os shows.

 

 

 

Entre tremores e calmaria o Saravá finaliza esta edição fazendo uma autocrítica mas também celebrando a vitória de ter realizado uma grande edição e está de parabéns. A missão de realizar um festival dessa magnitude por si só é louvável e por mais que possam ter havido deslizes, nada pode apagar o brilho e coragem de quem tem à disposição para enfrentar todos desafios e colocar o bloco na rua. Aguardamos por mais edições e se tudo der certo lá estaremos novamente para contar tudo aqui no S.O.M.

Saravá!

 

Todas as fotos são de Diorgenes Pandini

 

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