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Coberturas

FIMS 2021

narrativas sobre a retomada presencial da feira

Estrela Leminski e Téo Ruiz organizadores da FIMS - Foto de Carolina Bassani

Terminou no último sábado em Curitiba a FIMS (Feira Internacional de Música do Sul), já deixando saudades e aquele gostinho de quero mais. Para a grande maioria das pessoas presentes esse foi o evento presencial que marcou a volta ao convívio, olho no olho, cheio de calor humano. Foram 4 dias intensos na mais importante feira de música e oportunidades do sul do país. Shows cases, painéis, mesas, workshops, rodadas de negócio, pitchings, circuito off e dias que pareciam não ter fim literalmente. O S.O.M. esteve lá e trás aqui o relato completo da FIMS.

Saímos de Porto Alegre rumo Curitiba, fizemos uma parada para dormir em Criciúma (SC) e seguimos em frente chegando ao destino na hora certa direto para as primeiras rodadas de negócio promovidas pelo SEBRAE do Paraná. A maior parte das atividades tinha sede no Portão Cultural e, era ali que aconteciam os workshops, painéis, mesas, rodadas, pitchings e os shows cases. Destacando a alegria nos olhos de cada pessoa por estarmos retomando os eventos presenciais mesmo com os cuidados ainda necessários, uso de máscaras e todos protocolos era visível o brilho no olhar e o sorriso abafado pelas máscaras o que era um indício que os dias que viriam seriam incríveis e de fato foram.

Getúlio Abelha em seu workshop – Foto de Carolina Bassani

FIMS Dia 1

Às 14h começavam os pitchings de 3 minutos pra cada artista se apresentar para os programadoras e programadores presentes. Através de um aplicativo do SEBRAE era possível agendar as reuniões posteriores para conhecer melhor o trabalho de cada artista e quem sabe fechar negócios. Neste primeiro dia os pitchings que mais chamaram atenção foram Joana Castanheira, Klubber, Vulcaniótica, Fernando Lobo, Mc Beduino e Danada.

Feito os pitchings, chegou a hora de começarem os shows cases de 15 minutos que eram 4 por dia entre a programação. Neste primeiro dia se apresentaram Cidrais que fez uma apresentação muito tocante assim como Giana Cervi e Domingos, Mazin Silva Trio impressionou pela qualidade e talento dos seus músicos, uma virtuose nada cansativa e por fim o prata da casa e figurinha carimbada Leo Fressato que como sempre empolga demais.

Cidrais – Foto: Carolina Bassani

Outro destaque deste primeiro dia no Portão Cultural foi a excelente mesa de políticas afirmativas mediada por Bina Zanette e com as presenças de Amanda Bittar, Marta Carvalho, Aryane Sánchez e Deh Muss. A importância da curadoria que reflete diretamente, pois quem você coloca no palco do seu festival o representa pontua Martinha e segue afirmando que não acredita em evento que não tenha politica de cota, paridade e ações afirmativas. Aryane lembra oportunamente que é dia de Xangô e que a curadoria é uma ferramenta de justiça social. Se quando diante de ações de politicas afirmativas uma pessoa se sente desprivilegiada é porque um dia ela foi muito privilegiada, importante reflexão. Nosso mercado só agora está rompendo o ciclo passado por herdeiros, cita ainda o livro Anti-Inclusão de Maristela Lapone, infelizmente temos que passar vergonha para se reestruturar.

Amanda pega a palavra e afirma não aguentar mais falar sobre representatividade e que sim temos que falar é de proporcionalidade. E que não se trata de ciclos pessoais e sim sobre toda uma cadeia de produção. Bina pondera que estamos de fato a muitos passos de chegar a um mundo ideal no que tange as ações afirmativas. Deh Muss diz que vai demorar ainda para que os festivais percebam a importância dessa mudança, são tantos anos de invisibilização que as pessoas não se sentem nesse lugar, o caminho para proporcionalidade e a reparação passa necessariamente pela busca ativa diante de mecanismos como editais e chamamentos. Martinha soma ao pensamento pontuando que temos que sair da nossa zona de conforto e buscar a reforma agraria da música, Bina emenda que ou a branquitude se adapta a essa realidade ou ela vai ser esmagada. A necessidade de abrir suas redes para expandir esse universo é fidelizar e dar voz a revolução. Amanda cobra que o setor privado tem a obrigação de cobrar postura e se unir a ações afirmativas, Schibian observa que o impacto dessa mudança pra quem sofreu a violência da geração Xuxa e das Paquitas é muito significativa. Curadoria assertiva não olha o gosto pessoal tem que olhar a composição geral que  represente a região e de onde vem os recursos, faz também a analogia que o curador é um curiador e, que quem tem preguiça, que se retire. A mesa deixou bem claro que ações afirmativas são o que mais importa no atual contexto, Liberté, Egalité, Fraternité e Beyoncé brinca Martinha!

Outro ponto muito bem levantado pela Deh foi as avaliações descabidas em editais e chamadas publicas por pareceristas despreparados. Nós precisamos urgentemente colocar indígenas em nossas programações e como é bom ouvir mulheres negras que de tanto falar já estão construindo as politicas publicas. 60 minutos para um debate destes é pouco mas esse assunto rendeu e refletiu durante todas as outras atividades durante a Feira.

Painel sobre ações afirmativas – Foto: Carolina Bassani

O dia ainda teve o debate Sul da Onde? e seguiu com o circuito OFF com os shows de Notivagos e Orquidália no Camaleão Cultural lotado.

FIMS Dia 2

Novamente fomos ao Portão Cultural para as rodadas de networking do Sebrae e, neste dia tivemos mais 16 atrações falando de seu trabalho por 3 minutos para o seleto público de agentes do setor musical, destaque desta rodada Madu que apresentou a Machete Bomb, Thais Morell, Flor Et, Cidrais, Thiago Ramil, Meneio, Siamese, Orquidália, BFace e Mc Versa. Os shows cases desse segundo dia foram inspiradores. Paulo Ohana, compositor de mão cheia, fez a frente abrindo em alto nível.  Thais Morell seguiu brilhantemente, Pacha Ana do Mato Grosso fez uma apresentação irretocável e para finalizar o carismatique Jesus Lumma que brilhou!

Jesus Lumma – Foto de Carolina Bassani

Dani Ribas fez sua participação trazendo quais números temos que olhar para avaliar o desempenho na música e ainda houve um rico debate sobre a música instrumental e o mercado.

Já no circuito OFF, Flor Et representou a nova música feita do RS com muita propriedade em um show muito bom e Nunes de SC mostrou também que Santa Catarina está bem representada.

FIMS Dia 3

Outra rodada de Networking e os destaques desta vez ficaram para Pacha Ana, Paulo Ohana, 2de1 e Yanna.

Os shows cases Mariana Ramos, Thiago Ramil, fizeram shows bem interessantes, Meneio fez a galera viajar literalmente e por último 2de1 encerrou em grande estilo.

Uma mesa interessante demais que aconteceu nesse dia foi a de Políticas Públicas e participação da sociedade cultural, com a mediação do Teo Ruiz, Ana Morena, Fabrício, Eli Moura, Paula Riviera e Michele Cano.

O fomento a cultura é um desafio eterno. A continuidade das politicas públicas, andar pra frente sem retroceder com trocas de governo. Há que se profissionalizar e expandir as trocas de inteligências entre países sobre a legislação e fomento à música pq atualmente politicas publicas estão ligadas muito mais a um caráter de esmola. Paola Riviera fala do corredor cultural possível entre Brasil e Argentina e conta que na Argentina existe agora a própria lei que deu origem ao Instituto Nacional da Música, que é um órgão de fomento mas que não faz parte do estado e justamente por isso não há retrocessos a cada troca de governo. Foram 21 anos até aprovar a lei como ela é hoje. Precisamos fazer algo assim no Brasil acelerando o crescimento e o incentivo ao mercado da música do país.

Siemese em Ação – Foto: Carolina Bassani

FIMS Dia 4

Último dia da FIMS reservado para atividades musicais em três lugares diferentes da cidade, a primeira delas Klubber tocando piano solo no A Caiçara, a segunda Brunê fazendo show com banda em um quintal muito charmoso e por fim o ciclone tropical que fechou a FIMS lá em cima, Siamese e Getúlio Abelha no Espaço Fantástico.

A FIMS termina mas não acaba, pois cada pessoa saiu de lá com as energias renovadas e com o olhar para um futuro que não promete ser fácil mas onde na forca coletiva pode se encontrar toda e qualquer saída para mudar o setor musical para melhor. A FIMS acaba de ser aprovada no edital da FUNARTE de incentivo a festivais e feiras para sua edição 2022, vida longa a FIMS e até a próxima edição com certeza estaremos juntes! Foto: Carolina Bassani

 

Ouça a Playlist FIMS feita por Paulo Zé para o S.O.M:

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