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5 músicas que denunciam a dura realidade de jovens pretos e periféricos

Capa do álbum "Histórias da Minha Área"
Foto: Daniel Assis/Alvaro Benevente Júnior

A música, no geral, é uma forma de autoexpressão e observação do mundo ao redor, trazendo inúmeras sensações e reflexões. Vivemos tempos conturbados no Brasil e lamentavelmente isso não é uma novidade. À exemplo de jovens pretos e periféricos, que se encontram sempre numa linha tênue entre a vida e a morte, num país racista e desigual. E então, este tipo de arte também exerce o papel de denúncia e protesto, manifestando-se através de letras sinceras e densas a realidade do contexto sociológico citado. Portanto, segue abaixo 5 músicas que denunciam a dura realidade de jovens pretos e periféricos.

“Eu só quero é ser feliz

Andar tranquilamente na favela onde eu nasci

E poder me orgulhar

E ter a consciência que o pobre tem seu lugar”

Começo com uma música antiga, diretamente de 1995, mas que infelizmente se tornou uma funk atemporal e digo mais: cada vez mais atual. A realidade da favela não mudou e só piora. Lamentavelmente, a felicidade e tranquilidade almejada em Rap da Felicidade ainda é um sonho distante para muitos.

“Alguém me acorda desse pesadelo

111 tiros acertam um preto

Menor jogado com corpo no beco

Nossa pele faz nós já nascer suspeito

Ágatha, Duda, Kauan, João Pedro

E dizem que só quem morre é traficante”

A letra de Lei Áurea, de Borges, é repleta de verdades do começo ao fim e nos prova que a Lei Áurea, decreto assinado pela Princesa Isabel que aboliu a escravidão no Brasil, não trouxe liberdade aos negros e muito menos igualdade, porque foram apenas jogados a sua própria sorte, sem políticas públicas inclusivas, perpetuando assim a desigualdade no Brasil e a violência desenfreada que segue até os dias de hoje em que o negro continua sendo a principal vítima.

“O dedo, desde pequeno geral te aponta o dedo

No olhar da madame eu consigo sentir o medo

‘Cê cresce achando que ‘cê é pior que eles

Irmão, quem te roubou te chama de ladrão desde cedo”

Entre as rimas densas e sérias do terceiro álbum, intitulado “Ladrão”, está a música Hat-trick e traz muitas provocações e reflexões sobre as vivências de Djonga, representando muito bem a realidade de negros no Brasil que sofrem como o racismo cotidianamente desde a infância.

“Essa é pros amigo que partiu pr’uma melhor

Eu rezo pra subir, mano, eu não sei cantar,

Mas não há nada que se compare

À dor de perder quem não tá pronto pra partir

Dobro da minha disposição, metade da minha idade

E nem um terço da oportunidade que eu tive”

Mais uma do Djonga que não poderia deixar de ser citada. Presente no quarto álbum, “Histórias da Minha Área”, Não sei Rezar lamenta vidas negras perdidas tão precocemente num país desigual, injusto e violento.

E quê que eu fiz pa’ tomar três tiro’ no peito?

Preto na rua de noite com certeza era algo errado!

Virei postagem na sua rede social

‘Cê lamentou e escreveu sobre a repressão policial

Sua hashtag foi o ponto final”

Luta por mim, de Jup do Bairro, com participação mais que necessária de Mulambo, faz parte do primeiro álbum de estúdio de Jup, intitulado “Corpo sem Juízo”. É uma música potente, atual e dolorosa que exemplifica muito bem a realidade em que jovens negros são marginalizados, assassinados e ignorados numa sociedade racista.

Vidas negras perdidas já se tornaram tão cotidianas que as pessoas se acostumaram. Segundo pesquisas, 75% das vítimas de homicídios no país são negras, sem contar com o fato de que negros correspondem a 54% da população do país. Até quando vidas negras serão assassinadas e as perdas naturalizadas? Não podemos nos conformar. Vidas negras importam!

 

Escrito por

Estudante de Publicidade, escritor e leitor nas horas vagas. Apaixonado por música brasileira. Criador do projeto @musicadaqui.

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