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Entrevista

MELLY: A NOVA VOZ DO R&B SOTEROPOLITANO

Cantora desponta como uma das revelações do ano de 2021

Melly
Foto: Edgar Azevedo

Com 20 anos, a artista soteropolitana Melly compõe em inglês e português e constrói um trabalho autoral baseado nos gêneros musicais Soul e R&B. Iniciou os estudos em música ainda criança quando o seu pai, também músico, a incentivou a fazer aulas de piano e no último mês de julho, a cantora lançou o seu primeiro EP intitulado “Azul” nas plataformas digitais.

Conversamos com a Melly e ela nos contou um pouco sobre a sua trajetória e sobre o processo de desenvolvimento dos trabalhos já realizados.

SOM: Como você começou na música, Melly?

Melly: Poxa, desde muito pequena, viu? É uma história que vai lá atrás. Meu pai era artista, também era músico. Já tocou em banda de pagode aqui em Salvador, já tocou em banda de samba-reggae. O nome artístico dele é Tito. Ele já teve uma banda chamada João Ninguém, outra Arte e Mania mas agora ele não atua mais no meio da música, deixou o legado pra mim. Quando eu era mais nova acompanhava ele em todos os shows, ele fez questão de me colocar em aula de piano. Meu primeiro violão foi ele que me deu de presente. Então, já estou nessa aí faz um tempinho. Mas, profissionalmente é outra história.

SOM: Como foi que começou a sua vida profissional na música?

Melly: Começou em 2018, de uma forma bem estranha. Eu tava morando em Natal, não tava em Salvador mais, e recebi uma proposta de me apresentar num festival evangélico. Nada a ver, eu não sou nem evangélica. Eu nem tenho religião. Falaram assim: “Poxa você tem uma voz legal, vamos colocar você para tocar mas só não pode tocar músicas de outros artistas.”. E eu que tocava cover, né? Tinha composições minhas mas eu nunca tinha reunido uma banda pra tocar. Foi a primeira vez que participei de ensaios e de um show grande. Toquei nesse festival grande, ninguém me conhecia e acharam que eu ia cantar gospel e cantei nada a ver mas foi a experiência do início.

SOM: E depois, como se desenvolveu?

Melly: Em 2018 mesmo eu decidi parar de cantar no chuveiro e peguei uns equipamentos de produção cultural e comecei a aprender. Eu e um amigo meu chamado Rafael, daqui de Salvador também, ele é produtor. A gente começou a experimentar e produzimos duas músicas minhas. Eu produzi sozinha a faixa “Inverdades” que foi o primeiro lançamento de todos e a outra música foi “My Love”.

SOM: Como foi quando você viu que estava recebendo esse carinho das pessoas que gostam do seu trabalho?

Melly: Eu não esperava esse feedback positivo. Na verdade eu sempre fui muito tímida e quando eu cantava, cantava sozinha. Minhas amigas mais próximas sabiam que eu cantava e sempre me incentivaram a postar, a produzir. Em 2016 eu criei o meu primeiro canal no YouTube, é o que eu ainda utilizo, e comecei a postar uns covers. As pessoas falavam que gostava da minha voz, que eu trazia calma. Como assim eu levar calma? Eu sou a pessoa mais inquieta do mundo(risos). Depois disso eu comecei a pegar o jeito de ser pública e me adaptei. Em 2019 e 2020, eu lancei os três singles “Nega”, “Sexta-feira” e “Alucina” mas esse ano o meu trabalho é pensado para minha identidade artística.

SOM: E “Soul” veio para anunciar o EP “Azul”?

Melly: Sim, “Soul” veio para marcar essa mudança de fase entre o que eu tava produzindo antes e o que eu quero produzir agora, a imagem que eu quero passar agora, a Melly de agora.  Eu conheci o Manniga espontaneamente pelo Instagram, a gente se conectou imediatamente. Ele me enviou essa base da música e eu goste muito. Achei que combinava com uma letra que eu tinha e cantei em cima do beat. Enviei pra ele e a gente começou esse processo da produção musical. Depois ele me falou que queria produzir algo mais audiovisual e chamou um parceiro dele chamado Edgar, muito talentoso, que fez o roteiro, trouxe referências que combinavam com a música e deu nisso, deu em “Soul”.

SOM: Qual foi a sensação após ver o trabalho pronto?

Melly: Eu me senti realizada. Assim, toda vez que a gente lança uma música nova é uma realização imensa. Porque assim, estar acompanhada de uma equipe, não fazer nada sozinha, ter parceiros. É tudo muito gratificante.

SOM: E chegamos em “Azul”, né?

Mellly: “Azul” também é uma colaboração com meu parceiro de produção Manigga e com Pivete Opera, tecladista do Afrocidade que também é produtor. Na verdade, a gente estava experimentando e aí eu enviei as guias para o eu produtor executivo e produtor musical. “Love”, “Feriado” e “Barril”, foram as faixas que eles gostaram bastante, eu também, e a gente começou a produzir pensando já no formato de EP, pensando nesse R&B Bahia que já vem de Soul.

SOM: Tem alguma perspectiva de novos trabalhos?

Melly: A gente está trabalhando anda em cima do EP “Azul” mas já tem outros lançamentos programados, temos outros feats programados também. Então, quando tiver outras músicas, outros lançamentos espero conversar com você novamente mas no momento não posso revelar (risos). Em setembro terá música nova.

 

Escute o EP “Azul” de Melly:

Escrito por

Acredito no poder de transformação social da música e busco conhecê-la desde o seu contexto, nas narrativas periféricas de produção em cultura e na história que não é única. Comunicadora e criativa, garimpo vinil vez em quando.

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