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MUSEU DO HIP HOP AVANÇA NO RIO GRANDE DO SUL

Além de exposições, a ideia dos organizadores é realizar shows, oficinas e atividades culturais no espaço

Museu do Hip Hop
Foto: Anselmo Cunha (Agência RBS)

O Museu do Hip Hop RS começa a sair do papel como um ótimo exemplo de utilizar prédios ociosos das cidades, dando vida e ressignificando os espaços pelo viés cultural e musical.

Vinis do James Brown, o tênis do rapaz que dançou o primeiro break na Esquina Democrática e a caixa de som de um rapper gaúcho que já se apresentou em palcos europeus estão entre os objetos que podem virar artigo de Museu em 2022. O primeiro Museu da Cultura Hip Hop que se tem notícia no país deve ser construído na grande Porto Alegre em breve.

“Queremos fazer um ponto de encontro, com a ancestralidade negra, com a ancestralidade periférica do Rio Grande do Sul. Vamos fazer que nossa história seja contado por nós mesmos, não pelos outros” diz o coordenador de Autogestão e Sustentabilidade da Associação da Cultura Hip Hop, Rafael Diogo dos Santos, conhecido como Rafa Rafuagi, explicando que o museu será focado na história e no cenário do gênero em todas as regiões do Rio Grande do Sul.

Além de exposições, a ideia dos organizadores é realizar shows, oficinas e atividades culturais no espaço. Integrantes da Associação da Cultura Hip Hop, o secretário municipal de Administração e Patrimônio, o imóvel que será cedido pelo município, na Vila Ipiranga onde ficava uma escola até 2018, prédio que foi devolvido ao patrimônio do município e está ocioso, a assinatura do termo para ocupação do prédio está sendo aguardada ainda para o mês de julho.

 

Museu do Hip Hop

Foto: 7° setor

 

Referências e trajetória

A inspiração do projeto vem do distrito do Bronx, onde está sendo construído o Museu Universal do Hip-Hop de Nova York. Rafa relata que agora está sendo feito um trabalho de pesquisa para montar o acervo gaúcho. Para contemplar não apenas o gênero na Capital, mas também em Pelotas, Esteio, Canoas, Passo Fundo, Caxias do Sul, Bagé e outras tantas cidades que tem um histórico no hip hop.

“Estamos fazendo pesquisa de campo com o Instituto Fidedigna, que vai nos dar um diagnóstico do hip hop no Estado, abrangendo mais de 200 cidades. Conseguindo novos patrocinadores, vamos além, para contemplar as 497 cidades”, conta Rafuagi.

O hip hop surge na década de 1980 no Rio Grande do sul, fruto de bailes black, com grupos como Jara Musisom e Big Boys, da Restinga. Rafa destaca que o marco zero da cultura se deu na Esquina Democrática, como é chamado o cruzamento da Rua dos Andradas com a Avenida Borges de Medeiros, no centro de Porto Alegre.

“Os b-boys (breakdancers), os DJs, os MCs, os grafiteiros se encontravam ali para dançar, fazer rima, trocar ideia. E esse movimento surge em meio à ditadura: já descobrimos nas pesquisas que eles foram corridos muitas vezes pela polícia”, relata Rafa.

A associação e outros movimentos envolvidos na realização do museu pretendem coloca no ar, em outubro, um site com o resultado da pesquisa da história do Hip Hop, e, após toda a reforma no imóvel, fazer ainda neste ano uma espécie de “chá de casa nova”, para já ir aproximando a comunidade. Contando com o apoio de empresas, da prefeitura, do governo do Estado e até da Unesco, a inauguração deve sair em 2022.

Rafa garante que até quem acredita conhecer toda a história do Hip Hop no Estado vai se surpreender, e fala sobre um desafio do museu:

“A gente quer criar a cultura da galera gostar de museu. Quando se fala museu para o jovem, o cara fala: ‘bah aquele negócio parado’. A gente quer um museu interativo, tecnológico, urbano, dinâmico e com uma linguagem de fácil acesso tanto para o jovem que se identifica, quanto para o adulto que não faz muito gosto da cultura hip hop, mas vai conhecer e vai se encantar.”

O sonho dos integrantes da Associação da Cultura Hip Hop, os mesmos que criaram em Esteio a Casa do Hip Hop em 2017, é que o museu gaúcho sirva de exemplo para outros Estados, para que no futuro se construa um museu nacional

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