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Lançamento

Nordeste Futurista: Luana Flores lança seu primeiro EP

Trabalho consolida o universo eletrônico aos ritmos da cultura popular nordestina

Beatmaker, DJ, percussionista, cantora e compositora, Luana vem se destacando no cenário musical propondo a fusão de gênero, território e mesclas estéticas contemporâneas em seu trabalho.

Com alguns singles lançados, por fim está disponível seu primeiro EP contendo seis músicas. O disco traz como referência sensível e subjetiva a energia do pôr do sol na Parahyba. Cada faixa sinaliza um momento específico do pôr do sol, do início ao ápice até a chegada da noite e todas as energias que circundam esse acontecimento. O EP possui seis faixas inéditas, e foi lançado pelo selo Colmeia22.

A primeira faixa, intitulada “Eu vem”  conta com a participação  da mestra cirandeira paraibana Vó Mera, figura importante na região. Nesta canção as raízes da Parahyba  são exaltadas junto a um beat contagiante e elétrico.

Além do trecho de Vó Mera (que aparece ao final da música e foi extraído de uma live entre Luana e a mesma), “Eu vem” também tem mensagens da Vó Zélia (Avó de Luana) que logo no início da  canção transmite energia e admiração pelo trabalho da neta.

A fusão da sensibilidade, carinho e afeto envolvidos na canção, somadas a batidas fortes e pertinentes traduzem a ideia de nordeste futurista proposto pela artista. Tudo isso junto a samples de “vem la da paraiba” de Caiana dos Criolos, quilombo localizado na Paraíba. Um som enérgico com pegadas populares, envolvido de experimentos únicos da artista.

A segunda faixa nomeada “O que vem ver” é junto com a Mestra Ana do Coco, também paraibana. A canção  fala sobre conexões e cita várias personalidades importantes da cultura do grupo Novo Quilombo do Ipiranga.

A terceira canção do álbum “No mei dos mato” é de acordo com Luana um “cavalo marinho muderno” e conta com a participação especial de Letícia Coelho nas rabecas e coprodução musical de Chico Correa. Esse som é o ápice do pôr do sol e narra uma jornada  entre a fuga e a distração durante o isolamento social. Um convite a festividade paraibana.

“Vai trovejar” é a quarta faixa e conta com Doralyce  que traz um refrão repleto de fartura, abundância, nostalgia, conexão com a terra e chuva enquanto fenômeno de alegria e esperança. A canção  traz em sua letra várias referencias regionais, que vão da tradição familiar aos alimentos comumente consumidos na região.

“Suspendemos o céu” é posterior a “Vai Trovejar”.  Trata-se de uma poesia da artista visual, indígena e nordestina, Georgia Cardoso.

Por último e não menos importante, a sexta faixa é “Lampejo da Encruza”,  e conta com a genialidade de Edgar, artista que a algum tempo tem desempenhado um papel crucial na música brasileira, através de resoluções claras dos inúmeros cenários que nos permeiam. Edgar expõe  problemas recorrentes no país, pra não dizer no mundo, e nos leva a reflexões muitas vezes desconfortáveis. Sempre antenado e com pautas relevantes, Edgar inova em suas composições, sonoridades e performance.

Dessa vez ao lado de Luana, a canção híbrida da perspectiva dos dois artistas diante do futuro, traz um canto de força e resiliência, numa pegada leve, dançante e descontraída.

“Calejo mas não sinto medo” é a frase que embala a canção e nos direciona pra uma vibe de autoafirmação, energia e potência. A música, feita à distancia é uma capsula de serotonina e não só pela mensagem e elaboração musical, mas também pelo processo de execução, que reforça as possibilidades de se produzir, ressignificar e transmitir mensagens de obstinação, mesmo perante a um confinamento social desgovernado.

Escrito por

Mediador Cultural e gestor da iniciativa LATINESE. Pesquisa, escuta, produz e escreve sobre música. Percorre a América Latina através de descobertas sonoras e múltiplas expressões artísticas!

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