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Entrevista

Patrimônio Vivo de Pernambuco: Lia de Itamaracá é tema da série “Ocupação Itaú Cultural”, em São Paulo

em entrevista, cantora pernambucana fala sobre como se sente nesse momento de realizações e reconhecimento

Nascida Maria Madalena Correia do Nascimento, no ano de 1944, Lia escolhe levar sua terra natal no nome: Itamaracá. À ilha, localizada no litoral norte de Pernambuco, a cantora faz-se fiel, e reverbera toda sua experiência de vida, vivenciada na região, em seu canto, dança e vestes.

Mestra da cultura popular, a pernambucana Lia de Itamaracá, aos 78 anos, é uma das responsáveis por manter viva a ciranda, gênero considerado patrimônio imaterial brasileiro, disseminado-o pelo Brasil afora.

Com curadoria realizada entre a cantora Alessandra Leão, a jornalista Michelle de Assumpção e a equipe do Itaú Cultural, a cirandeira é a homenageada na 55ª edição da série de ocupações e primeira deste ano de 2022. A mostra passeia por diferentes momentos da trajetória de Lia de Itamaracá a partir dos eixos: “Sal”, “Som” e “Sol”. Saiba um pouco mais a seguir:

Sal

O eixo “Sal” expõe as origens da Lia e aborda sua história até o início da carreira nos palcos. Podem ser conferidos fotografias, documentos, vídeos, telas e até itens de decoração da casa onde a artista cresceu. Entre essas peças, está o certificado de que ela é descendente do povo Djoula, da Guiné-Bissau.

Há, ainda, muita informação sobre a ciranda, cujo movimento acompanha a onda do mar. Entre elas, a história de Antonio Baracho da Silva (1907-1988), mais conhecido como Mestre Baracho. Ícone da cultura popular pernambucana é atribuída a ele – que, se hoje estivesse vivo, completaria 116 anos – a popularização deste gênero.

Som

Neste eixo, a mostra retrata toda trajetória musical de Lia, com matérias sobre ela, desde 1977. Também estão ali imagens de shows que fez e as capas de seus discos, em um arco completo do primeiro álbum ao último, gravado em 2019 com DJ Dolores. Outras fotos com ela e Beto Hees, seu produtor desde 1997, dão conta do momento em que a cantora rompeu com os limites, geralmente conferidos aos artistas da chamada cultura popular.

Sol

Neste eixo é abordado a construção iconográfica da Lia de Itamaracá, além de passar por vários elementos no trabalho da artista e as conquistas dela em outras áreas da cultura, como o cinema e a moda. Poderão ser vistas uma série de audiovisuais que permeiam o espaço e reúne diversos trechos de imagens inéditas de sua vida, feitas pela cineasta brasileira Karen Akerman.

Conversando com Lia 

Na manhã desta quarta-feira(20), dia que ocorre a abertura da mostra, conversamos com Lia de Itamaracá pelo telefone para sabe um pouco como está sendo para ela experienciar essa homenagem.

Sendo uma mulher, negra, nordestina, cujas raízes estão numa Ilha, Lia se torna, ainda mais, referência para muitas outras mulheres que todos os dias acordam para se aproximarem cada vez mais da realização dos seus sonhos.

SOM: Lia, o que significa a música para você?

Lia: A música pra mim é um paz, um amor, um carinho. A música pra mim é um sonho. Tem uma levada muito maravilhosa, contagiante. Eu amo cantar eu adoro cantar. quem canta seus males espantam.

SOM:  Estava lendo um pouco da sua história e vi que cantar sempre foi um sonho. Como a Lia menina, que sonhava em ser cantora,  se sente com todo esse reconhecimento?

Lia: Ah, eu me sinto muito feliz. Muito feliz mesmo. Foi um sonho que eu tive e pedi muito a Deus pra me orientar. Eu amo cantar e meu sonho foi realizado. Eu me interessei pela música com 12 anos de idade. Com 19 anos pra 20, assumi a responsabilidade de gravar, subir os palcos, de cantar, de sair pros exterior e estou me sentindo muito bem.

SOM: Como está sendo vivenciar esse momento, de homenagem?

Lia: Olhe, essa homenagem para mim está sensacional.Eu to muito feliz de vir pra São Paulo, uma das maiores cidades do país, receber essa homenagem .

Entre 21 a 24 de abril (sexta-feira e sábado às 20h; quinta-feira e domingo às 19h), ela apresentará canções de “Ciranda de Ritmos“. E entre os dias 28 de abril e 1º de maio, ela e o DJ Dolores apresentam as canções de “Ciranda Sem Fim” ao lado de Alessandra Leão (nos dias 28 e 29 de abril, às 20h), Edgar (no dia 30, às 20h) e Iara Rennó (no dia 1º, às 19h).

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