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REFLETINDO O LUGAR DA MASCULINIDADE NAS RELAÇÕES AFETIVAS COM AMIRI

após 2 anos sem novos trabalhos, o artista lançou o single “tudo eu”

Planto uma semente de afeto em seu peito e rego de longe tudo de mais bonito que puder caber nesse compartimento.
Sonho contigo, como quem tem pacto com o divino pra não definhar da sua falta
Se pudesse fazer magia, seria pra nenhum mal lhe acometer

 

Tudo eu” é uma composição do artista paulista Amiri e foi lançada no último dia 14 de janeiro. A faixa conta com a participação da poeta Mel Duarte e chegou com um super videoclipe que constrói narrativas visuais para o que está sendo ilustrado na composição.

A faixa, que inicia com o poema da Mel Duarte que está na epígrafe, traz em si uma forte reflexão acerca das construções das masculinidades e a sua influência na elaboração sentimental dentro das relações afetivas.

Vivemos numa sociedade cujo padrão identitário é composto por convenções sociais que se baseiam em características específicas e determinam comportamentos, diferenças, constroem interesse, expectativas e provocam rupturas. É o caso da construção do ser homem.

A nossa imagem, o nosso corpo são produtores de sentido. Não atoa existem, entre outros preconceitos, racismo, sexismo, machismo, classismo. Ainda que existam corpos desviantes, aqueles cujo padrão e verdade de existência não se encaixam no que está determinado, todos temos de lidar com os sistemas sociais e com os significados que reverberam a partir da nossa vivência como indivíduo em sociedade.

Conversando com o Amiri sobre o seu processo com a obra

SOM:  Amiri, você traz uma forte reflexão sobre o lugar das masculinidades nas relações afetivas. Pode falar um pouco sobre isso?

Amiri: Eu diria que eu sugiro essa reflexão, mas a partir das minhas experiências, então é de dentro do meu processo de reconhecimento, onde me reconheço como sensível sim, mas no sentido fiel da palavra, quando se trata da facilidade em acessar e imprimir emoções, e do quanto eu considero isso masculinidades também.

SOM: O trabalho é sensível e traz diversos níveis de profundidade sobre o ato de se relacionar. Qual o impacto da sua vida pessoal na obra?

Amiri: Essa obra só existe devido ao impacto que o sentimento de insuficiência deixou desde as tentativas de resolução de insegurança na infância, sendo uma criança preta sensível não enxergada romanticamente geralmente, o que criou em mim uma busca de validação externa e foi adoecendo lugares da minha vida adulta. É um pouco do retrato disso.

SOM: Ao fim do trabalho, há um diálogo sobre o sentimento de insuficiência. É corajoso assumir as nossas fragilidades, o nosso verdadeiro sentir dentro da vulnerabilidade que existe ao se relacionar. O acolhimento dessa humanidade é algo que você cultiva dentro de si?

Amiri: É algo que cutivo, sim.
A ideia de dois homens pretos amigos tendo uma conversa sobre o que realmente sentem, reconhecendo e acessando suas sensibilidades, vem de reflexões que fiz e faço acerca das nossas manutenções de humanidade, de fato, com a intenção de nutrir mais reflexões que ajudem a melhorar nossas relações.  

Escrito por

Acredito no poder de transformação social da música e busco conhecê-la desde o seu contexto, nas narrativas periféricas de produção em cultura e na história que não é única. Comunicadora e criativa, garimpo vinil vez em quando.

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