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Entrevista

TAGORE ABRE AS PORTAS DE SEU NOVO UNIVERSO EM “MAYA”

Trabalho chega com temas diversos e maduros em nova era do artista

Tagore
Foto: Bruna Valença

De sobrenome Suassuna, Tagore, é um músico recifense, que desde sua infância conviveu no meio das artes e teve fortes influências de sua família para se tornar o artista que é hoje em dia. Com pouco mais de 10 anos de carreira, contém em sua discografia um EP de estreia, o “Aldeia”, dois discos de estúdio o “Movido a Vapor” (2014), “Pineal” (2016), dois discos gravados ao vivo o “Tagore no Estúdio Showlivre” (2016), “Ao Vivo nos Cosmos” (2021) e hoje lança seu mais novo trabalho intitulado “Maya”.

O disco contém 11 faixas e aborda questões diversas, como os desencontros urbanos e astrologia, mas gira em torno da temática da saudade, do processo doloroso do desapego e tudo o que orbita em torno disso, como a ilusão do apego, o pertencimento e posse do outro, mas também do deixar ir. A música “Maya”, faixa título do disco, descreve bem a ideia central e condensa todo o conceito e mensagem que Tagore pretende passar com sua nova obra. A capa fica por conta de Bruna Valença.

Para acalmar a ansiedade e aumentar a expectativa dos fãs curiosos que aguardam o novo disco, algumas músicas foram lançadas anteriormente para nos trazer a ideia e o gostinho de como seria sua nova obra, como já visto nas músicas “Tatu” e “Capricorniana”, que contém clipes com excelentes produções de Matheus Toledo e a música “Olho Dela”.

Em entrevista ao SOM, Tagore fala sobre os singles já lançados. Em relação a música “Capricorniana” afirma: “Eu peguei os ganchos dos estudos rasos que a gente faz da astrologia, os arquétipos que tem em cima de cada signo e terminei trazendo isso pra música como forma de um repente. Os 12 signos rimados em cima de uma música, era uma coisa que eu ainda não tinha visto acontecer e achei interessante. O que é bem difícil de fazer, porque são os 12 signos rimados em cima de uma métrica da música.”

Sobre a música “Tatu”: “Já ‘Tatu’ é sobre os desencontros urbanos que acontecem. Às vezes a gente tá no mesmo lugar que a pessoa e a gente não encontra ela, cada um vai pra um lado, para um lugar. É sobre esses desencontros urbanos que acontecem nos flertes modernos.”

No que se trata de inspirações musicais e artísticas, não é novidade que a Psicodelia e Tom Zé são grandes influências para Tagore. Em seu primeiro disco, o “Movido a Vapor”, ele traz uma regravação da música “Todos os Olhos” e o cita na música “Tarde Londrina”. Mas a história não para por aí, em “Olho Dela” além de ser inspirada em Tom Zé, também há a influência de Jorge Ben Jor, no ritmo swingado que a música traz. 

Tom Zé sempre foi uma inspiração pra mim, desde sempre. A música tem duas partes, de início chega numa temática bem Tom Zé, na métrica e lá pra frente tem uma parada mais “Menina Mulher da Pele Preta” de Jorge Ben, que é mais swingada. Eu costumo dizer que eu recebo as ideias da músicas, porque eu não sei escrevê-las, eu sei lapidar as músicas que recebo, acho que alguém no plano astral faz pra mim e me entrega mais ou menos pronta, e eu só tenho o trabalho de encontrar a melhor roupagem ou velocidade. Eu tinha escrito primeiro o refrão e anos depois eu tava em Florianópolis, sentado no Lajedão, na Barra da Lagoa e tive esse lapso de inspiração num entardecer… e aí foi só alegria encontrar a outra metade da laranja e quando apareceu, foi perfeito e eu realmente considero uma das melhores composições. “É Top!” como dizem os mais novos.”

Sobre o nome do disco, Tagore relata: “O nome Maya é inspirado no livro do escritor Norueguês, Jostein Gaarder (também autor do livro “O Mundo de Sofia”) que eu ganhei de uma pessoa querida e adorei. O livro dialoga muito com a temática da saudade, da ilusão da posse de um relacionamento. O conceito principal costura todas as composições, a temática da saudades e desapego, tudo isso está bem sintetizado na faixa título. O nome “Maya” é hindu e o meu nome também, então está tudo dentro dessa macro bolha e eu achei legal, achei condizente com essa ideia de desapego.”

Entretanto, para além de um disco carregado de saudosismo, a maioria das canções foram compostas em São Paulo, no período em que o artista morou por um tempo, sofrendo sua forte influência. O que para Tagore, ter passado por esse período, significou um grande impacto em sua vida, pois passou por questões diversas entre morar sozinho a ter que lidar com uma cidade individualista e super populosa, que contém uma dinâmica totalmente diferente de Recife, sua cidade natal.

Porém, como já citado no início do texto, Tagore vem de uma família que carrega a arte nas veias e a influência de ritmos nordestinos também é possível ser verificado em suas canções, além da psicodelia que o acompanha desde o primeiro disco. Relembrando sobre suas influências familiares e artísticas, ele relata: “Eu cresci no meio artístico, indo ao ateliê, ouvindo música, pegava os vinis do meu pai, as latas de tinta e brincava de bateria. Eu sempre tive esse empurrão da família pra eu me tornar artista, não foi nada em vão. Por parte de mãe eu tenho uns tios que são músicos, que são “Vates e violas” emblemáticos em Pernambuco nos anos 90, apesar de serem da paraíba e também fizeram parte de muita coisa do movimento mangue, não tinham o som especificamente do mangue, mas faziam parte. Eles também tinham um bar que era estilo Soparia, onde Otto e Chico Science também iam lá. Lembro que uma vez eu tava tomando picolé e Chico tava na mesa ao lado tomando cerveja. Depois a gente cresce e vê que essas coisas foram muito massa e o quanto nos influenciam.”

Sua primeira música gravada foi aos 12 anos, num discman que possuía, mas somente no ano de 2005, surgiu sua primeira banda, a The Keith, onde cantavam em inglês e durou 3 anos, mas que chegou a tocar no Abril Pro Rock, em Recife, onde afirma ser o maior acontecimento da banda. Em 2010, após o término, ele resolve criar a Tagore. “Em 2010 eu iniciei a Tagore com o João Cavalcanti que tá comigo até hoje e mostrei a ele umas músicas, ele já sabia mixar e me convidou. Fomos a um sítio dele em Aldeia e registramos nosso primeiro EP chamado “Aldeia”, que antecedeu o “Movido a vapor”. Iniciei tocando no prédio, formei minha primeira banda e desde 2010, até agora, tô tocando meu próprio alter ego por ai. Tô tentando me encontrar ainda, mas por enquanto isso aqui sou eu ainda.”

Tagore é um dos artistas mais importantes da nova cena musical recifense e psicodélica brasileira e conta com diversas parcerias, entre elas as bandas Boogarins e Jorge Cabeleira e o dia em que seremos todos inúteis. Além de ter várias regravações de artistas que o inspira, como Alceu Valença, Tom Zé, Ave Sangria e King Crimson. Finalmente, você agora pode conferir o seu novo disco abaixo.

Escrito por

24 anos, Pernambucana, Batuqueira, Manguegirl, Estudante de psicologia e Amante da boa Música brasileira.

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